Londres - A Justiça do Reino Unido condenou ontem a Scotland Yard (Polícia Metropolitana) por colocar a população em risco ao matar o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, 27 anos, depois de confundi-lo com um terrorista, em julho de 2005.
A polícia foi condenada por descumprir a lei de risco trabalhista 1.974 durante a operação. A regra obriga as forças de ordem a zelarem pela integridade inclusive de quem não é seu funcionário.
O órgão policial alegava ser inocente, afirmando de que a morte do brasileiro foi um erro, mas não um crime. A pena para tal violação é de multa sem um teto definido.
Menezes foi morto com sete tiros na cabeça em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres, por agentes que o confundiram com Hussain Osman, terrorista que tentou, no dia anterior, cometer um atentado contra a rede de transporte da capital britânica, semelhante aos de 7 de julho do 2005.
Chefe rejeita renúncia
Após o anúncio da condenação da Scotland Yard, o chefe da polícia britânica, Ian Blair, rejeitou a possibilidade de renunciar ao cargo.
A Polícia Metropolitana foi condenada a pagar uma multa de 175 mil libras (cerca de R$ 634 mil) pela morte do brasileiro. “É importante lembrar que nenhum policial agiu naquele dia com a intenção de atingir um homem inocente. A morte foi a culminação dos atos de muitas pessoas, que tentavam fazer o melhor possível para enfrentar a terrível ameaça contra Londres...Ele era um homem inocente, e a polícia já se desculpou muitas vezes por isso”, afirmou Blair.