Brasília - Em nome da aprovação da CPMF, governistas se uniram à oposição no Senado para sinalizar que a Casa não irá aprovar nenhuma proposta permitindo ao presidente Lula disputar um terceiro mandato.
O tema foi levantado durante a reunião deontem da Comissão de Constituição e Justiça depois de divulgado, ontem pela “Folha de S.Paulo”, que a Câmara havia desarquivado um projeto permitindo reeleições infinitas.
Reunida para ouvir três ministros defenderem a prorrogação da CPMF, a CCJ se tornou um centro de articulação contrário à proposta. Os ministros convocados para a sessão usaram suas falas para combater a idéia depois de informados que ela estava causando contrariedade na oposição.
“Acho que é uma questão prematura, extemporânea e inadequada. Pelo que conheço do meu presidente ele não comunga da idéia. Essa discussão só o enfraquece e o prejudica”, disse o ministro Guido Mantega (Fazenda).
“A proposta é completamente fora de propósito e tenho ouvido isso do próprio presidente”, acrescentou Paulo Bernardo (Planejamento). Em entrevista à Rádio Itatiaia, o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral) também comentou o assunto.
Lula contra
“O presidente Lula já falou que é contrário a isso. Eu entendo que, ao se dizer contrário e desautorizar expressamente, ele está dizendo também que qualquer parlamentar que tomar iniciativa nesse sentido está prejudicando o país e o próprio presidente”, afirmou.
Logo no início dos trabalhos, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), havia procurado os governistas Romero Jucá (PMDB-RR) e Aloizio Mercadante (PT-SP) para dizer que o desarquivamento da proposta na Câmara iria azedar o clima da votação da CPMF e que eles precisavam agir.
Enquanto Mercadante passava ao tucano reproduções do presidente se dizendo contra o terceiro mandato, Romero Jucá ligava para o ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais) para saber o que estava acontecendo.
Foi informado de que a iniciativa não era de conhecimento do Palácio do Planalto e que ele deveria dar declarações contrárias. “O presidente Lula não concorda com terceiro mandato. Mas se a Câmara aprovar essa matéria, ela não passa no Senado. O PMDB se junta à oposição e a derruba”, disse Jucá a jornalistas.
O líder do governo afirmou ainda que a proposta é “natimorta, cópia mal feita do modelo chavista”, numa referência ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.
O próprio ministro Mares Guia disse mais tarde que a possibilidade de o presidente disputar um terceiro mandato está “fora de pauta e não conta com a autorização” de Lula.
A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), também foi acionada. Ligou para o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), pedindo que ele procurasse desarticular a tramitação naquela Casa da proposta das reeleições infinitas, de autoria do ex-deputado Inaldo Leitão (PR-PB).
Ao mesmo tempo, começou a circular na CCJ a informação de que o presidente Lula havia telefonado no dia anterior para o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pedindo sua interferência a fim de evitar a tramitação de projeto de petistas permitindo que ele dispute uma nova eleição.
Segundo a reportagem apurou, Lula disse a Chinaglia que gostaria que ele procurasse o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), que defende a possibilidade do terceiro mandato, para manifestar sua contrariedade em relação ao tema.