Não é só o financiamento que está em alta entre o consumidor que pretende comprar um carro, computador ou algum outro bem. Os consórcios, segundo concessionárias e empresas especializadas no serviço, estão ganhando grande espaço nos últimos anos. Trata-se de um sistema de compra parcelada e programada de um determinado bem, cujo valor é rateado por um grupo de participantes organizados por uma empresa administradora.
Mas apesar dessa modalidade de compra representar uma grande vantagem num primeiro momento, consultores financeiros recomendam muita cautela e pesquisa antes de descartar de vez o parcelamento de longo prazo.
Para o economista Wagner Ismanhoto o consórcio só é viável quando as taxas de juros dos financiamentos, especialmente os de veículos, estão em alta. Condição esta que não ocorre no momento. “Hoje, os consórcios não representam grande vantagem. Os juros dos financiamentos de veículos, especificamente, estão relativamente baixos. É possível financiar um automóvel a 0,8% de juros ao mês”, acrescenta.
Ismanhoto explica que no consórcio não há cobrança de juros, apenas de taxa de administração e fundo de reserva, que giram em torno de 7%. “Esse percentual é quase o equivalente ao que o financiamento me cobra em um ano. Então, não compensa. O consórcio só é viável quando os juros do financiamento estão muito altos no mercado”, avalia o economista.
Outro inconveniente dessa modalidade de compra, segundo Ismanhoto, é a espera pela sorte, já que a entrega do bem depende de sorteio. “Para quem depende do bem para trabalhar, o consórcio é inviável, porque a espera pode ser longa”, completa.
É o caso do carpinteiro Róbson Lazarini, 26 anos. Ele entrou no consórcio de uma moto, que usaria para trabalhar, mas até agora não foi sorteado. “Para mim não compensou, porque eu ia usá-la no dia-a-dia do trabalho. Infelizmente, a sorte ainda não apareceu”, conta.
Lazarini paga cerca de R$ 200,00 de mensalidade e optou pelo consórcio para fugir dos juros do financiamento. “Seu eu financiasse a moto pagaria R$ 1.500,00 a mais. No entanto, decidi que assim que eu terminar de pagar o consórcio, vou pegar uma carta de crédito para comprar um carro. Acho que não é vantagem esperar tanto tempo para ficar com uma moto”, justifica.
Ismanhoto ressalta que ser sorteado logo no início do pagamento não é tão vantajoso quanto parece. Isso porque o bem sofre um certo deságio com o tempo. “No final, você acaba pagando o preço equivalente a um bem novo. São inconvenientes do consórcio”, completa.
O ideal, antes de comprar qualquer coisa e correr o risco de se endividar, é poupar dinheiro para pagar à vista. Porém, são raras as pessoas que conseguem essa proeza. O economista Geraldo Pineli acredita que o consórcio é ideal nesses casos, quando a pessoa não consegue fazer uma reserva financeira pensando em comprar algum bem à vista.
“Para quem não tem controle do orçamento e não consegue guardar uma parte da renda para quando for comprar alguma coisa liquidar de uma só vez o valor, ou mesmo diminuir o saldo devedor, o consórcio é uma boa alternativa”, analisa.
Mas em qualquer outra circunstância, ele recomenda a velha e tradicional caderneta de poupança. Investimento que, segundo Pineli, pode ser feito com o dinheiro da taxa de administração cobrada pela corretora. “A vantagem seria muito maior, dependendo evidentemente de quanto se poderia guardar por mês”, acrescenta.
Financiamento
Uma pessoa que esteja pensando em adquirir um carro de R$ 30 mil, por exemplo, pagaria cerca de R$ 500,00 ao mês num financiamento de 60 parcelas fixas, segundo calcula Pineli. No caso do consórcio, R$ 50,00 ou 10% dessa parcela de R$ 500,00 seriam pagos à administradora do consórcio.
“Se eu aplicar R$ 500,00 por mês e não R$ 450,00, conseguiria R$ 5 mil em dez meses. Então, os 10% a mais que o consórcio cobra, se considerarmos que estamos pagando o carro à vista com mais 10%, obtemos um valor significativo”, acrescenta o economista.
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4 por 10
Numa concessionária de veículos de Bauru, de cada dez carros vendidos, quatro são negociados através de consórcio. “As pessoas estão vendo que pagar juros acaba levando muitas vezes a uma parcela alta e que lá na frente vai atrapalhar no seu planejamento. Então, o consórcio é muito bem-vindo como forma de planejar uma parcela sem pagar juros”, comenta Márcio César de Assis, supervisor de vendas.
Para ele, a flexibilidade que o consórcio oferece tem sido outro motivo de atração do consumidor. “Hoje é possível, através do consórcio, pegar um carro novo ou seminovo, além de ter condições de aumentar ou diminuir a parcela. Você tem uma flexibilidade que, normalmente, o financiamento não oferece”, ressalta Assis.
Ainda conforme ele, a maior parte dos contratos de consórcio fechados na concessionária corresponde a planos de pagamento que variam de 36 a 60 meses.