Nova York – “Não sabia exatamente quem ele era.” A declaração do queniano Paul Tergat após a Maratona de Nova York do ano passado se referia ao brasileiro Marílson Gomes dos Santos. O brasiliense de 30 anos surpreendeu ao se livrar do pelotão da frente - com Tergat nele - e vencer a prova com o tempo de 2h09min58s.
Agora conhecido, Marílson busca hoje, a partir das 13h10 (de Brasília), ampliar seu feito: ele pode se tornar o sétimo corredor na história a triunfar em Nova York mais de uma vez. “Sei que não vou ter a mesma facilidade que tive no ano passado”, avalia o brasileiro. “Será uma situação diferente. Não acredito que vai haver caça (marcação a ele dos rivais). Quem estiver no pelotão de frente poderá vencer.”
A tradicional prova que passa pelas ruas nova-iorquinas tem a previsão de 38 mil participantes neste ano. A maioria é de anônimos. Mas há espaço, além dos atletas top, para nomes de outras pistas, como o piloto de F-1 Heikki Kovalainen, da equipe Renault, que confirmou presença na maratona. O percurso de 42,195 km é tido por Marílson como “complicado”. “Nova York não favorece a busca de um bom tempo. É um percurso difícil, com subidas e descidas. Vou correr pensando numa boa colocação.”
Se era até esnobado pelos rivais no ano passado, desta vez Marílson chegou a Nova York paparicado. Na terça-feira, participou de teleconferência com jornalistas brasileiros e estrangeiros. No mesmo dia, visitou a bolsa de valores da cidade.
“Hoje, vejo que o tratamento das pessoas mudou. Passei a ter uma série de compromissos que não tinha antes”, diz ele, que cita o Central Park como lugar favorito de treinamento final em Nova York. “Minha preparação não mudou nada. Foi feita em Campos do Jordão (a 167 km de São Paulo), a mesma de 2006.”
Desde o triunfo na maratona nova-iorquina da última temporada, o corredor deu um salto de qualidade. Neste ano, em abril, obteve o melhor tempo da carreira na prova: 2h08min37s, em Londres. Ele terminou em oitavo lugar na ocasião. Ainda neste ano, superou o recorde sul-americano dos 10.000 m, com 27min28s12. Nessa prova, foi prata no Pan-Americano do Rio, em julho passado. Nos 5.000 m, foi bronze nos Jogos cariocas.
Mas Marílson cita o resultado no Mundial de Corridas de Rua, no percurso de 21,1 km, para argumentar sua confiança em Nova York. No mês passado, em Udine, na Itália, ele ficou em sétimo na competição, mas o tempo de 59min33s é o melhor feito até hoje por um atleta de qualquer continente, com exceção da África.
“(O desempenho em Udine) me qualifica para uma boa maratona”, afirma Marílson. “Minha estratégia é me manter no grupo da frente para, depois, achar um ponto de fuga (de seus concorrentes).”
Após Nova York, Marílson - que está perto das Olimpíadas de Pequim-2008 - não tem prevista nenhuma maratona até agosto do próximo ano, o mês dos Jogos na China. “A medalha olímpica virou meu principal objetivo”, conta ele.