Bairros

O que a comunidade pensa?

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

Nem só de elogios vive um líder comunitário. Pelo contrário, há os reveses naturais de assumir um papel de destaque dentro da comunidade onde vive, isso sem falar da desconfiança natural das pessoas. É óbvio que há aqueles que exercem seu papel de forma convicta, e acabam conquistando a simpatia da população do bairro, mesmo sem atuar na associação de moradores.

O JC foi em quatro bairros diferentes para perguntar sobre a atuação dessas lideranças e da associação dos moradores. As respostas encontradas foram as mais distintas possíveis. Houve queixas, elogios rasgados e reclamação sobre a falta que faz uma referência comunitária.

Na Pousada da Esperança há uma certa desconfiança sobre a atuação da associação de moradores, mas as pessoas entrevistadas lembraram que há um líder comunitário no bairro que, mesmo sem mandato na entidade, continua atuando em prol da comunidade. “É o Natalino, que sempre agita quando tem alguma coisa para fazer”, afirma o comerciante Aparecido de Oliveira. A dona de casa Lúcia Maria Ferreira e a diarista Genesi Gomes Placco compartilham da opinião do comerciante. “O Natalino sempre está fazendo alguma coisa para movimentar o pessoal”, diz Lúcia.

Mas nem a atuação de Natalino evita as queixas sobre as condições do bairro. Sem asfalto e infra-estrutura necessária, os moradores da Pousada da Esperança ainda sonham que os líderes comunitários consigam reverter a situação. “Aqui nós estamos abandonados”, reclama Lúcia Maria.

No Santa Edwirges, a situação é semelhante: sem asfalto, infra-estrutura e faltando tudo, os moradores se queixam não só da falta de atuação dos políticos locais, mas afirmam que a associação de moradores não serve para muita coisa. Líder comunitário, então, é artigo de luxo. “Tem associação, mas não adianta nada. Moro aqui há 20 anos, e continua a mesma coisa”, afirma o autônomo Walter José Dias.

Da mesma forma pensa o pintor Jéferson Ribeiro de Oliveira, que reclama da atuação dos líderes. “Não tem quem brigue pelos moradores. A gente está pensando em montar uma chapa para ver se consegue fazer alguma coisa”, comenta.

Só elogios

Se na Pousada e no Santa Edwirges a associação de moradores gera preocupação e desconfiança, no Parque Jaraguá a situação é inversa. A atuação da associação e da líder comunitária conhecida como Cidinha do Azulão é destacada pelos moradores, que comemoram ter alguém atuante no bairro. “Ela faz um trabalho muito bom com as crianças”, afirma a dona de casa Mônica Cristina Lacerda , cuja filha, Larissa, faz curso de teatro na associação.

Sobram elogios para Cidinha, que, segundo Mônica, faz de tudo para ajudar a comunidade. “Aqui nós não temos do que reclamar. A associação faz festa para as crianças, tem cursos, e a Cidinha trabalha bastante”, afirma.

Líder que faz falta

Se há líderes omissos ou ativos, a pior parte fica para quem não tem nenhum dos dois. Afinal, mesmo se a liderança não é tão atuante, ainda há para quem recorrer em caso de problemas.

Mas quem não tem nem líder nem associação sofre ainda mais, como no caso da Vila Industrial 2, onde os moradores se queixam da falta de uma entidade que os represente. “A gente sente falta porque não tem alguém que tenha um vínculo com a prefeitura, para trazer melhorias para o bairro”, ressalta a dona de casa Lurdes Ferreira dos Santos.

Ela conta que chegaram a fazer um levantamento para abrir um entidade representativa, mas faltou motivação aos moradores. “Ninguém quer assumir o papel de líder, e essa liderança faz falta”, afirma Lurdes.

Comentários

Comentários