Internacional

Musharraf decreta estado de emergência

Folhapress
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Islamabad - O ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, declarou ontem estado de emergência diante do crescimento da violência e das tensões políticas no país, e suspendeu a Constituição. Também anunciou uma nova ordem constitucional provisória, que deveria ser explicada por ele na TV ontem à noite.

Documento informa que o estado de emergência “foi causado pela interferência da Justiça na Presidência e pelos militantes islâmicos” -139 pessoas morreram em 19 de outubro durante um atentado contra a ex-premiê Benazir Bhutto.

A decisão foi anunciada enquanto o Suprema Corte decide a legalidade do novo mandato de Musharraf, conquistado em outubro, mas posto em xeque por ele ser também o líder do Exército - o que a Constituição paquistanesa veta.

Musharraf, que chegou ao poder após um golpe em 1999, também espera adiar as eleições parlamentares, marcadas para janeiro. O chefe da Suprema Corte, Iftikhar Chaudhry, e outros oito juízes recusaram o decreto de estado de emergência. Pela segunda vez, Chaudhry foi destituído.

O presidente da associação dos advogados foi preso. As TVs particulares saíram do ar. Um dos responsáveis pela rede Dawn, que exibe programas em inglês, confirmou o corte das emissões: “Nosso canal saiu do ar, algo que parece estar relacionado com a imposição do estado de emergência”, disse Azhar Abas.

Policiais bloquearam os arredores da Suprema Corte. Testemunhas disseram que paramilitares, antes do anúncio, estavam na TV estatal e em rádios. Os telefones fixos e celulares foram cortados, mas as Assembléias Federal e das Províncias continuarão trabalhando.

Antes do anúncio, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse a jornalistas que Washington se oporia a qualquer medida autoritária e que queria que o processo eleitoral continuasse. “Acho óbvio que os EUA não apoiariam medidas inconstitucionais. O Paquistão precisa se preparar para eleições livres e justas”, disse Rice. O Paquistão é o principal aliado dos EUA na região.

O retorno de Dubai de Benazir - que havia voltado de um exílio de oito anos na época das eleições após um acordo com Musharraf - ainda é incerto. Seu marido, Asif Ali Zardari, afirmou: “Definitivamente não são notícias agradáveis. Esperamos construir instituições e não destruí-las”.

“Este é o mais condenável dos atos”, declarou Ahsan Iqbal, porta-voz do partido de oposição PML-N, do ex-premiê Nawaz Sharif - em setembro, foi vetado seu retorno ao Paquistão para liderar uma campanha contra o governo. “A nação vai resistir contra as medidas inconstitucionais.”

O governo do Paquistão estuda outras medidas, como dar poderes extraordinários a Musharraf e ampliar uma cláusula que torna legal sua dupla função de presidente do país e chefe do Exército. Em teoria, isso só é legal até 15 de novembro, quando acaba seu atual mandato. Está prevista para o dia 12 a decisão sobre a legalidade de sua reeleição.

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