Regional

Inexperientes ainda precisam de quem dê oportunidades

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O secretário do Desenvolvimento da Prefeitura de Macatuba, Marcos Olivatto, acredita que o curso de costura foi a nelhor saída encontrada para suprir a falta de mão-de-obra especializada no município, além de driblar o desemprego provocado por conta da mecanização dos canaviais, uma realidade em diversas regiões do País e que deve chegar pelo Interior de São Paulo com mais força em poucos anos.

“Cerca de 80% dos moradores do município viviam da cana-de-açúcar. Eram empregos diretos e indiretos. Com a mecanização, esse pessoal ficaria desempregado e um caos se instalaria na cidade”, prevê o secretário.

Até o primeiro semestre deste ano, o curso era oferecido para duas turmas de 12 alunas. A procura, porém, tem sido muito grande, levando em conta as sete fábricas de jeans. No segundo semestre, o curso será ampliado para quatro turmas de 12 alunas. Além disso, será oferecido também o curso de lavagem e tingimento com mais duas turmas.

Treinamento

Martim Sbaraglini Filho e Rose Sbaraglini são sócio-proprietários em uma empresa que confecciona calças jeans para grandes magazines. “São 800 peças por dia. Poderiam ser 900, se tivéssemos mão-de-obra experiente”, afirmam.

Mesmo sabendo que sua produção poderia ser maior e, conseqüentemente, seu faturamento também, o casal costuma dar a primeira oportunidade para os inexperientes. “As outras fábricas só aceitam costureiras com experiência anterior. Nós treinamos e depois, algumas vão embora.” Apesar disso, não pensam em parar de admitir “novatos”.

Martin acha que isso acontece porque a demanda é maior do que o potencial da cidade. “Macatuba encontrou sua vocação na confecção e hoje a procura por costureiras é muito grande. O curso do Senai/prefeitura ajuda a profissionalizar os moradores que viviam basicamente do corte de cana.”

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Qualidade de vida

Duas horas a mais de sono fez diferença para a ex-cortadora de cana Tatiane Cristina Leôncio. “Antes eu acordava às 4h, agora acordo às 6h. Começo a trabalhar por volta das 7h, tenho horário para comer sossegada e não preciso usar botas e roupas que me protejam do sol. Tenho uma vida melhor.”

Casada e mãe de dois filhos menores, a costureira aposta também na qualidade de vida dos herdeiros. “A vida deles melhorou. Tenho mais tempo para eles. Posso comprar roupas melhores e brinquedos.”

Na opinião de Maria José Silva, outra ex-cortadora de cana, o fato de se livrar das dores provocadas pelo corte de cana já foi um ganho no item qualidade de vida. “O trabalho de costureira é mais higiênico. Tenho horário para almoço dentro de um refeitório. Não tomo sol direto e ainda gosto do que faço.”

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