Polícia

SAP inicia transferências de presos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A transformação das unidades prisionais de Bauru de regime fechado para semi-aberto começou na manhã de ontem. Apesar de não confirmar o número de presidiários removidos – Polícia Militar (PM) calcula que foram 300 homens, outras fontes ouvidas pelo Jornal da Cidade avaliam que saíram 380 detentos -, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informa em nota divulgada à imprensa que a transformação é temporária e que foi motivada pela carência de vagas neste tipo de regime no Estado. Os reeducandos da Penitenciária 1 (P 1) foram levados à unidade de Guareí. As transferências continuam nos próximos dias. Por questões de segurança, a SAP não divulga informações sobre este processo.

Segundo o apurado pela reportagem, saíram da unidade todos os presos que ocupavam o raio 3 da P1 e metade dos homens do raio 2. Ainda permanecem na penitenciária os reeducandos que estão na enfermaria, no setor de inclusão e os da área disciplinar. Os presos que ocupam a ala de progressão também ficaram na unidade. Em torno de 400 homens do regime fechado ainda devem ser transferidos. Juntas, P1 e P2 comportam 1.800 presos.

De acordo com o capitão Válter Luís Sales Gonçalves, comandante da 3.ª Companhia da PM, cerca de 30 policiais em nove viaturas, inclusive com participação de homens da Força Tática, começaram a operação de escolta dos presos às 5h de ontem. Às 16h, todos os policiais já tinham regressado a Bauru. “A escolta foi tranqüila e o processo foi rápido”, observa. Ele informa que houve um princípio de tumulto, mas ressaltou que não foi nada grave.

Segundo o comandante, os policiais estavam armados com metralhadoras e mantinham atenção redobrada. “O Policiamento Rodoviário e a praça de pedágio existente no trajeto foram alertados sobre a escolta”, diz.

Porém, se o embarque e desembarque dos homens foram tranqüilos, informações extra-oficiais dão conta de que dentro da unidade o clima era de tensão. Contrários à transferência, presos da P1 teriam se revoltado e dado início a um tumulto. Teria sido necessário que o Grupo de Intervenção Rápida (GIR) agisse contra os presidiários. De acordo com o informado, o grupo teria usado bombas de efeito moral e disparos de balas de borracha contra os presos.

Outra denúncia feita foi a de que os reeducandos que permaneceram na P1 estariam depredando o prédio da unidade. Procurada na noite de ontem pelo Jornal da Cidade, a SAP não respondeu à solicitação.

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Familiares temem novas unidades

Na tarde de ontem, pais de dois presos da Penitenciária 1 (P1) de Bauru procuraram o Jornal da Cidade. Eles afirmaram que foram até a unidade verificar se seus filhos tinham sido transferidos, mas não obtiveram resposta. Além da falta de informações, eles criticaram a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) por iniciar o processo de transferência, sem contar com acompanhamento por parte do Ministério Público ou representantes de entidade que possam garantir os direitos dos reeducandos.

Antônio Aparecido Orestes, 59 anos, pai de Reginaldo Gonçalves Orestes, 28 anos, que cumpre pena de 26 anos por latrocínio, diz que na manhã de ontem foi até a P1, mas funcionários o encaminharam à Vara de Execuções Criminais (VEC). “Da VEC me mandaram para a procuradoria, mas também não ajudaram lá”, lamenta.

Lucieide De Mendes Vasconcelos, 50 anos, também diz que não conseguiu informações sobre seu filho Alessandro Michejvs, 30 anos, que cumpre 21 anos de prisão por homicídio. “Nos disseram que só teríamos informações daqui três dias”, diz.

Orestes também critica a falta de acompanhamento de autoridades durante este processo de transferência. “Acho incrível um fato tão importante como este não ter um representante do Ministério Público ou da VEC”, ressalta. Vasconcelos também informa que os próprios presidiários estão apreensivos. “Eles estão com muito medo desta transferência, porque não sabem o que vão encontrar”, diz. Para ficar mais próxima de Michejvs, ela vendeu sua casa em São Paulo para vir para Bauru. “E se eles forem para outra cidade, como eu vou fazer?”, questiona.

Os dois afirmaram que os filhos estavam muito satisfeitos com a P1. “Meu filho aprendeu muito. Está cursando a 2.ª série do ensino médio. Trabalha na unidade, fez curso no Sebrae e hoje trabalha como eletricista lá”, ressalta. Já Vasconcelos informa que o filho conseguiu fazer um curso de eletrônica na unidade.

A SAP ressalta que por motivos de segurança, não se manifesta sobre transferências. Problemas podem ser comunicados pelo telefone (11) 6223-4714.

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