Polícia

Para PM, alteração não trará insegurança

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Com a implantação do regime semi-aberto nas penitenciárias 1 e 2 de Bauru, o aumento da insegurança na cidade tornou-se uma das maiores preocupações dos moradores. Segundo alertam agentes penitenciários, a mudança do sistema prisional pode trazer para a cidade integrantes de facções criminosas que aguardam a progressão de pena. Atualmente, o ambiente dentro das duas unidades é relativamente calmo exatamente por conta da ausência dessas facções.

Como no regime semi-aberto, os presos têm direito a trabalhar fora da unidade prisional durante o dia, em tese isso poderia significar pelo menos 1.800 detentos ligados a alguma facção criminosa circulando pelas ruas da cidade. “Vai causar maior insegurança e vamos ter de aumentar os muros das nossas casas. Converso com meus vizinhos e todo mundo está na expectativa e com medo. Não dá para saber o que vai acontecer”, destaca a dona de casa Fátima Aparecida Marangoni de Lima, 52 anos.

Procuradas pela reportagem para avaliar o impacto que a mudança pode gerar na cidade, as secretarias municipais de Saúde e do do Bem-Estar Social informaram, por intermédio de assessoria de imprensa, que não irão se manifestar sobre o assunto. No entanto, de acordo com o tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), não há motivo para alarde.

Segundo ele, informações dão conta de que grande parte da mão-de-obra será absorvida internamente pelas duas unidades, através de empresas que mantêm parte de sua linha de produção dentro dos presídios. “Serão poucos os presos que deverão sair às ruas para trabalhar. E eles estarão sendo vigiados durante todo o tempo pelos agentes de escolta e vigilância penitenciária (AEVP), então não há com o que se preocupar”, frisa.

O comandante destaca, ainda, o que seria um aspecto positivo da transformação das duas penitenciárias da cidade: a extinção do regime fechado acabará também com a necessidade de deslocar o efetivo da Polícia Militar (PM) para a realização de escoltas durante o transporte de presos. “Se todos os presos da cidade estiverem em um estágio de progressão de pena, esse efetivo que faz a escolta hoje poderá atuar em outras operações. Teremos mais policiais para trabalhar e condições de dar maior segurança para a comunidade”, observa.

Um outro receio da população refere-se à possível vinda de familiares de presos para a cidade com o objetivo de ficarem mais próximos dos parentes sentenciados. “Já não há emprego suficiente e essas famílias, que já não têm boas condições financeiras, vão ficar sem trabalho”, acredita a secretária Ivonete Padilha, 34 anos. Esta situação, aliada à possibilidade de os presos ficarem mais tempo nas ruas, pode significar aumento da criminalidade na cidade, avalia a secretária.

Para o capitão Valter Luís Sales Gonçalves, comandante da 3ª Companhia da PM, ainda não há dados técnicos que permitam avaliar se haverá redução da segurança na cidade com a mudança para o semi-aberto. “O que podemos dizer é que, caso as famílias se mudem para Bauru, esses presos passarão a receber a visita técnica da polícia durante as cinco saídas temporárias a que têm direito no ano”, frisa. Desde janeiro do ano passado, todos os detentos em regime semi-aberto que declaram residir na cidade são fiscalizados pela PM no período em que recebem o benefício para visitar seus parentes.

Em Hortolândia

Há cerca de três meses, Hortolândia teve a Penitenciária 1, unidade prisional que funcionava em regime fechado, transformada semi-aberto. De acordo com o prefeito Ângelo Perugini, ainda não foi possível avaliar o impacto da mudança na segurança pública da cidade.

O Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia é hoje o maior núcleo de detenção de São Paulo, com quase 10 mil presos divididos em seis unidades prisionais, duas delas de regime semi-aberto. “O número de presos é tão grande e as conseqüências são tão negativas, que qualquer outro prejuízo que possa ter sido causado com a mudança de regime da P1 acaba sendo encoberto”, comenta.

“Mas percebemos que, além das famílias, as organizações criminosas que estão vinculadas aos condenados acabam vindo junto também. Com isso, o problema de criminalidade aumentou substancialmente”, destaca, revelando que, nos dois últimos anos, Hortolândia foi considerada uma das cidades mais violentas do Estado.

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