Há 10 anos o marido de Daniela Silva Zanino, 23 anos, cumpre pena por tentativa de homicídio. No último final de semana, ela foi visitar o companheiro que estava detido na P2. “Todo mundo estava revoltado lá. Eles não sabiam quando iam voltar a ver a família depois da transferência”, conta.
Ela estava frustrada porque o marido tinha acabado de ser contratado por uma das empresas que atuam dentro da unidade, mas com a transferência, o sonho de uma melhora na qualidade de vida tinha acabado. “Agora que a gente estava se estabilizando, acontece isso”, lamenta.
“Temos dois filhos e dependemos do dinheiro que ele arrumava por lá”, conta. Ela está desempregada e só realiza trabalhos temporários em bufês da cidade. “Se já é difícil com ele perto, imagina se ele for transferido. Não vou ter condição de visitar e já falei isso para ele”. Ela conta que todas as semanas visita o marido e, com a transferência, calcula que conseguirá vê-lo apenas uma vez por mês.
Outra preocupação é quanto aos futuros vizinhos. “Tenho certeza que vai ter mais violência, mais roubo. Vão chegar muitas pessoas que a gente não conhece e que não conhecem a gente. E o problema não é só daqui, mas de outros bairros também”, avalia.