Polícia

Caso de massagista morta é reaberto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Uma prisão efetuada na Bahia no final do ano passado resultou na reabertura do processo referente ao assassinato da massagista Marta Karem Glanert, 21 anos. Ela morreu em outubro de 2003, 23 dias após ser baleada na casa onde morava e trabalhava, no Jardim Santana, em Bauru (leia mais abaixo). A moça teria sido vítima de uma trama em que estariam em jogo mais de R$ 3 milhões.

Embora humilde, ela havia assinado várias apólices de seguro de vida, que somadas chegariam a esse montante. Seu único beneficiário era um homem, na época apontado como mentor do homicídio. Ele teria planejado o crime, que também envolveu Neucival Pereira Costa. Após prestar depoimento na polícia, Val (como era conhecido) fugiu de Bauru.

Logo na seqüência, sua prisão preventiva foi decretada, mas ele só foi detido na Bahia no final do ano passado. Com a prisão de Val surgiram elementos que justificaram o prosseguimento do caso, reaberto em 31 de outubro deste ano a pedido do promotor Djalma Marinho Cunha Filho.

O promotor não foi encontrado ontem para comentar o caso, mas conforme a reportagem apurou, o objetivo será o de encontrar provas da autoria do assassinato. Sem elas, o acusado de ser o mentor e mais três envolvidos foram impronunciados, ou seja, não foram a júri. Embora a medida não os inocente, o processo foi arquivado entre o final de 2004 e início de 2005.

Prisão

Os três (excetuando Val e o suspoto mentor) teriam permanecido cerca de nove meses presos em virtude do homicídio. Foram colocados em liberdade depois que a Justiça revogou a prisão do homem apontado como mentor. Porém, conforme informações extra-oficiais, dois deles voltaram ao sistema carcerário. Um por latrocínio e o outro por tráfico de drogas.

No processo da massagista, que foi desmembrado, eles foram considerados impronunciados. Já o processo de Val foi suspenso em virtude da fuga. Segundo a reportagem apurou, ao ser detido na Bahia ele confirmou a versão que já havia dado à polícia bauruense.

Contou que foi com colegas à residência da massagista e que um deles teria entrado no imóvel e atirado. Garante, no entanto, que desconhecia a intenção do autor de efetuar os disparos. Val continua preso e sua remoção para Bauru já foi requerida.

Caso ele e os outros sejam condenados pelo crime, responderão por homicídio qualificado, que prevê pena de 20 a 30 anos de reclusão.

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Como foi o assassinato

O crime aconteceu na tarde do dia 2 de outubro de 2003. Dois desconhecidos entraram na casa de massagem, na quadra 4 da rua Vangélio Mondelli, procurando pela vítima. Como ela estava trabalhando, suas companheiras pediram para os desconhecidos retornarem.

A dupla retornou pouco depois e efetuou vários tiros contra a mulher. Levada ao Pronto-Socorro Municipal, Marta Karem Glanert foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, onde permaneceu viva, porém inconsciente até o dia 25 do mesmo mês, quando morreu.

Segundo a Polícia Civil informou na época, o primeiro a ser identificado foi Neucival Pereira Costa. Ele teria entrado na casa de massagem em companhia de outro rapaz, levados para o local por outros dois homens. Após os disparos que teriam sido feitos pele acompanhante de Val, segundo sua própria confissão, os quatro fugiram para uma chácara na região de Agudos.

Durante as investigações, os outros três também foram identificados e presos. Todos negaram a participação no crime. Costa fugiu antes de ser decretada a prisão temporária dele. A polícia passou então a buscar o motivo do homicídio e chegou a uma trama envolvendo os quatro, um intermediário e o mandante.

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Mais uma pessoa

O assassinato da massagista teria contado ainda com a participação de mais uma pessoa que teria feito o papel de intermediário nas negociações entre o mandante e os executores. Seria um amigo de longa data do homem apontado como mentor. Como estava com câncer há dois anos, ele teria intermediado a ação. A hipótese é que ele planejava receber um dinheiro a fim de deixar para família, uma vez que sabia que ia morrer.

Conforme a reportagem apurou, ele faleceu no dia em que sua prisão foi decretada.

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