Politicando

Basquete e agiota


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Piracicaba como boa cidade do interior que é sempre teve figurinhas carimbadas que protagonizaram “causos” muito interessantes.

Aqui vai um:

Na década de 60/70 o basquete feminino do XV de Novembro de Piracicaba se destacava no cenário esportivo não só em nível estadual, como também no Brasil afora e até no exterior.

Naquela época jogavam no XV feras do naipe de Heleninha, Maria Helena, que posteriormente foi técnica da seleção brasileira, Elzinha, Delcy, esta que foi musa de toda uma geração de torcedores, porque ela era realmente muito bonita.

O Renato Spotto, tio do Marden, meu amigo de infância, era muito envolvido com o esporte na época, principalmente com o Basquete, ele e uma turminha de primeiríssima: Hélio Diehl, Matiazzo, Ride e o Baby, o “pivô” da história.

Todos eles trabalhavam na prefeitura, e além de colegas de trabalho, eram amigos inseparáveis de pescaria, cachaça e etc.

À época, o que era o supra-sumo do “chiquê” era passar as férias em Santos, mais especificamente nas praias do Gonzaga e José Menino e de preferência no hotel Atlântico. A mulher de Baby vivia pedindo para passar as férias em Santos, mas o salário era curto, e tudo o que “sobrava” era gasto nas famosas ranchadas, à beira do rio Piracicaba, cervejadas etc., isso sem falar no carteado do Coronel Barbosa.

Mas de tanto a esposa insistir, o Baby resolveu emprestar um dinheiro de um famoso agiota da cidade, e ele que era de boa família, trabalhava na Prefeitura e era um excelente papo, conseguiu levantar a “grana”.

Avisou a mulher, reservou hotel, e lá se foi o Baby e família para Santos, em merecidas férias, de Piracicaba até São Paulo de Expresso Piracicabano, mas de São Paulo para Santos a “finesse” era ir de Expresso Zefir, e é claro o Baby não deixou por menos, economizar não fazia parte do seu vocabulário.

E passou 15 dias de rei, praia, cervejinhas, caipirinhas, camarãozinhos, jantando fora à noite, tudo o que tinha direito, mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe, e o dia de voltar chegou, e mais rapidamente ainda, o dia de pagar o empréstimo. Aí começou o suplício do agiota, não havia meios de falar sequer por telefone com o Baby, que ora estava viajando, ora em reunião etc.

Logo que ele aparecia “no pedaço”, o porteiro, que era amigo do Baby já o avisava, e o Baby evaporava.

E assim foi durante semanas.

Quando o agiota foi se “aconselhar” com amigos como deveria fazer para localizar o desaparecido Baby, foi avisado que estava acontecendo um campeonato de basquete feminino, o famoso Torneio das Estrelas, torneio este que tinha representantes da Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, e que o famoso Baby era o chefe da torcida “desorganizada”, no que ele contava com o auxílio de toda a turminha da Prefeitura, que até “descolava” uma verba, para que alguns componentes de uma escola de samba lá fossem para animar a dita torcida.

E lá se foi o agiota para o ginásio Waldemar Blatkauskas, o local da competição. Chegando lá, não foi difícil localizar o Baby, ele estava lá, bem no meio da bateria, comandando a “galera”.

A coisa funcionava assim, quando o time adversário pegava na bola o batuque parava, quando a bola era do XV, lá vinha o refrão: - XV, XV, XV.

O agiota se posicionou logo abaixo da bateria, esperou um momento de maior “silêncio” quando a bola estava em posse do adversário, e gritou:

Baby, Baby – quando a “figura” olhou para ele, o agiota, cavalheiro, para não cobrá-lo a altos brados na frente de seus amigos, faz então o gesto, característico: - esfrega insistentemente o polegar no indicador, e pergunta:

Então Baby, como é que é?

Nessa hora o XV retomou a posse de bola, e o Baby imediatamente:

É pique, é pique, é piquepiquepique, é hora, é hora, e comandou o refrão: XV, XV, XV. Depois disso, dizem as más línguas, que o agiota mais nunca conseguiu receber seu dinheiro de volta. É isso.

Contada por Jair Veiga, enviada por Cirso Mendes Silveira

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