Entendendo que a dengue já se transformou em uma epidemia nacional e também motivada pelo fato do bairro onde está situada já ter registrado casos confirmados da doença, a Faculdade de Odontologia de Bauru/Universidade de São Paulo (FOB/USP) resolveu dar exemplo no combate aos criadouros dos mosquitos transmissores da dengue e da leishmaniose desenvolvendo um projeto “pente-fino” para conscientizar alunos e funcionários sobre a importância da prevenção. A instituição também defende o engajamento de outros órgãos e da população para o País vencer a “batalha” contra tais moléstias.
A iniciativa é coordenada pela prefeitura do câmpus e envolve a realização de diversas atividades preventivas para evitar o aparecimento de focos dos mosquitos Aedes aegypti e palha, que transmitem, respectivamente, a dengue e a leishmaniose. A engenheira da prefeitura do câmpus, Simone Berriel Simonelli, explicou que uma das ações são os mutirões periódicos efetuados todas as segundas-feiras.
“Neles, os funcionários do setor de manutenção saem a campo de manhã e vistoriam as áreas verdes, que são cerca de 65 mil metros quadrados, para localização de copos descartáveis, tampinhas de garrafa, pontos de acúmulo de água e de tudo o que possa se tornar um criadouro das doenças, como as calhas, grelhas de captação de águas pluviais e locais onde possa haver acúmulo de folhas e material orgânico”, enfatizou Simonelli.
A engenheira acrescentou que, apesar dos mutirões periódicos, a instituição também preocupa-se em educar os empregados para que os mesmos tenham olhar vigilante permanente. “Desenvolvemos um processo educativo com o pessoal da manutenção e da segurança do câmpus para que eles voltem seus olhares para o combate às doenças não apenas durante às segundas-feiras nos mutirões”, frisou.
Simonelli contou, ainda, que a instituição também mantém cuidado redobrado com as bromélias, planta que é um dos principais alvos do combate à dengue por sua facilidade de retenção de água. “Como há correntes científicas divergentes em relação ao papel das bromélias nos criadouros de dengue, entramos em contato com uma pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós (Esalq) que nos orientou a pulverizá-las com piretróide, o que fazemos todas as segundas”, salientou.
A engenheira informou também que a instituição já contatou o Departamento de Saúde Coletiva do município para solicitar a participação do órgão em uma palestra na faculdade com os responsáveis pela execução das atividades. “Consideramos que quanto mais informações eles tiverem, mais mobilizados e sensibilizados com a questão estarão”, destacou Simonelli.
O prefeito em exercício do câmpus, Ruy Cesar Camargo Abdo, cobrou maior colaboração da sociedade no combate à dengue. “Esse ano, temos visto pela mídia que existem 480 mil casos no País, o que já virou uma epidemia de ordem nacional. Estamos imbuídos na tentativa de eliminar os focos, mas gostaríamos que todas as outras unidades, não só as escolares como outras que são do Estado e governo, também se mobilizassem no sentido de combater. Isso porque fica muito pesado só para a prefeitura cuidar de tudo”, ressaltou. E acrescentou:
“Mas ninguém precisa ficar desesperado pensando que vai morrer todo mundo de dengue. Não é isso, mas é uma somatória de esforços.”