Internacional

Relatório sobre Jean Charles revela novas falhas e pressiona a polícia

Folhapress
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Londres - Um novo relatório da Comissão Independente de Queixas Contra a Polícia (IPCC, na sigla inglês) revela novas falhas na atuação da polícia britânica no assassinato do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, em julho de 2005, e alimenta a pressão pela saída do chefe da instituição, Ian Blair.

As informações do documento de 167 páginas, divulgado ontem, deixam claro que a reação do brasileiro ao ser agarrado por um dos policiais, no vagão do metrô, foi normal: dos 17 passageiros que presenciaram a cena e foram ouvidos no inquérito, ninguém se lembra dos policiais da unidade armada se identificando.

Os oito policiais, que escreveram juntos sua versão dos fatos, contradizem os relatos dos passageiros, colhidos individualmente.

Outra falha revelada ontem foi que a comandante das operações naquele dia, Cressida Dick, perdeu parte de uma reunião matinal. Um dos maiores erros do caso foi que os policiais que montaram guarda em frente à casa de onde saiu Jean Charles naquela manhã de 2005 receberam uma ordem para “parar” os suspeitos - mas jamais ficou claro se “parar” significava abordar ou matar.

A maior parte das informações contidas no relatório já tinha vindo a público durante o julgamento da polícia britânica como instituição, nas últimas semanas. A Justiça considerou que as vidas dos cidadãos foram colocadas em risco sem justificativa e impôs uma multa de 175 mil libras (R$ 630 mil) à polícia. Nenhum dos policiais foi individualmente julgado. O documento estava pronto desde janeiro de 2006 e serviu como base para a acusação no julgamento da polícia.

O relatório revela que a Promotoria chegou a considerar o indiciamento dos dois agentes que atiraram em Jean Charles e também da chefe da operação, mas desistiu. Jean Charles foi assassinado em 22 de julho de 2005, confundido com o terrorista Hussein Osman, que integrava um grupo que tentou, no dia anterior, realizar atentados em Londres. Duas semanas antes ataques suicidas no transporte público haviam matado 52 pessoas. O brasileiro morava no mesmo conjunto de prédios que Osman.

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