Três pessoas da mesma família e outras cinco foram presas temporariamente pela Polícia Civil de Bauru, ontem de manhã, na operação Fava, que significa furto de automóveis e veículos adulterados. A polícia acredita que os suspeitos compravam carros em leilões e retiravam as peças. Depois, usavam-nas em automóveis furtados que eram revendidos como legais. As demais peças eram revendidas em uma loja em Bauru e outra em Botucatu.
Os dois estabelecimentos, que estavam registrados em nome de dois suspeitos de integrar a quadrilha, Bento José Bautz Martins e Henrique Gasparini Pereira, foram fechados pela polícia e devem perder o alvará de funcionamento.
Com mandados de busca e apreensão, desde as 6h de ontem até o final da manhã, os policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apoiados pelas unidades especializadas, distritos, Delegacia Seccional e Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), fiscalizaram 20 locais nas duas cidades.
Na casa de Bento, em Botucatu, a polícia encontrou aproximadamente 35 câmbios, todos com numeração ausente ou remarcados. Além das peças, a polícia também apreendeu sete automóveis e aproximadamente seis motores.
“Como a polícia faz fiscalizações em estabelecimentos, a quadrilha teve a estratégia de guardar as peças em uma residência”, explica o delegado seccional Doniseti José Pinezi.
Edison Roberto Marson, a esposa Silvana Ribeiro dos Santos, a filha Arize Fernanda Marson e o amásio dela, Henrique, estão entre os detidos. Em 2002, a polícia apreendeu, por duas vezes, peças de veículos em um sítio entre Bauru e Agudos que estava alugada para o casal Edison e Silvana. Além deles, Ilson Vitor Barbosa e Antonio Roberto Meneghel também tiveram prisão temporária decretada. Outros dois acusados de integrar a quadrilha foram presos dois dias antes da operação e estão presos em Sumaré.
A operação faz parte do programa de combate ao furto de veículo. As investigações deste caso eram feitas há três meses pela Polícia Civil. Desde então, a equipe de investigadores da DIG vinha pesquisando a vida dos suspeitos. “Eles atuavam de maneira em que cada integrante tinha seu papel bem definido. Enquanto uns furtavam os veículos, outros retiravam as peças e instalavam em outros automóveis”, explica do delegado da DIG Carlos Creppe Júnior.
Os sete detidos temporariamente foram apresentados ontem à imprensa antes de serem encaminhados à cadeia. Silvana e sua filha, Arize, choraram bastante e ficaram o tempo todo abraçadas, escondendo o rosto. Os demais suspeitos também preferiram não mostrar a face.
A DIG instaurou inquérito para apurar receptação qualificada, adulteração de sinal identificador de veículo e formação de quadrilha ou bando. Pelo Código Penal, se condenados, os suspeitos podem pegar de 7 a 17 anos de prisão pelos crimes.
O inquérito deve ser concluído em 10 dias. A polícia ainda procura por cinco pessoas que também fariam parte da quadrilha.
Uma das lojas de venda de peças usadas, que seriam utilizadas como ‘fachada’ pela quadrilha, fica na rua José Fernando do Amaral, 1-46. Em Botucatu, a loja está localizada na avenida Deputado Dante Delmanto, 1974.
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Operação desmanche
Em setembro, um dos acusados de integrar a quadrilha, Bento José Bautz, já havia sido detido. Na sua casa, foram localizados três automóveis que podem ter sido adulterados e um kit justamente para este fim. São equipamentos para punção, solda e lixas para adulterar os chassis.
A apreensão foi resultado de uma fiscalização em estabelecimentos de “desmanche”, funilaria e oficinas realizada pela Polícia Civil, em Bauru. Ao todo, 32 policiais e 11 viaturas vistoriaram 15 locais em diversos bairros da cidade com objetivo de coibir furtos e roubos.
No primeiro semestre foram furtados 146 carros e motos em Bauru. No mesmo período do ano passado foram 245.