Política

Prefeitura gasta 2 vezes com alarme

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Um sistema de alarme e monitoramento que tornou-se ultrapassado técnica e tecnologicamente e vulnerável a falhas provocadas pela ação de vândalos e ladrões. Essa foi a vigilância instalada pela atual administração em cerca de 70 escolas municipais - Emeis, Emeiis e Emefs - após a conclusão de um processo licitatório, em 2005, cujo contrato custa quase R$ 6 mil aos cofres públicos. E agora, passados demorados dois anos e, de certa forma, reconhecendo as deficiências do sistema, além dos diversos casos de vandalismo registrados nas unidades escolares, a prefeitura bauruense já prepara a abertura de licitação para modificar os equipamentos de segurança das instituições de ensino.

A necessidade de atualização da vigilância escolar foi reconhecida pela administração. Prova disso é que uma comissão foi constituída pelo prefeito Tuga Angerami, através de decreto publicado na edição de anteontem do Diário Oficial, para cuidar do processo licitatório que culminará na formulação de novo contrato relativo ao sistema. O atual, estabelecido entre o Executivo e uma empresa de vigilância no primeiro ano da gestão Tuga Angerami, incluiu o fornecimento dos equipamentos e previu ainda serviço de monitoramento, através de viaturas que se deslocam ao local, ao custo de R$ 5.976,00 mensais aos cofres municipais.

Atualmente, a segurança escolar, que anteriormente figurava entre as atribuições da Secretaria de Educação, passou a ser responsabilidade da Divisão de Vigilância municipal, seção lotada no Gabinete da administração coordenada pelo corregedor Jéferson Silva Campos, que na sexta-feira, após diversas tentativas de contato em seu telefone celular, não foi localizado pela reportagem do JC para falar sobre o assunto.

Vigias

Além do sistema atual de vigilância das escolas municipais ser considerado obsoleto, há outro agravante que colabora para piorar a situação da segurança escolar. Apenas parte das instituições de ensino conta com vigias, problema antigo do setor que seria amenizado, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, por rondas programadas que percorrem as escolas que não possuem vigias.

Por isso, não é exagero afirmar que as deficiências técnicas do sistema de vigilância, aliadas à lentidão da prefeitura em providenciar sua atualização, facilitaram a vida dos vândalos que freqüentemente atacam as escolas municipais. E os casos recentes de vandalismo não foram poucos.

A Escola Municipal de Ensino Infantil Integrada (Emeii) Professor José de Toledo Filho, conhecida como “Caiczinho”, no Bauru 16, foi este ano uma das principais vítimas dos vândalos. A instituição sofreu, durante pelo menos três meses, ataques seguidos de depredadores, que retiraram as grades de proteção das janelas, quebraram peças de acrílico utilizados como vidro, destruíram trabalhos dos alunos e até defecaram no lactário do berçário.

No último ato de vandalismo, ocorrido no mês passado na Emeii, a reportagem do JC ouviu funcionários que reclamaram que a questão se agravou nos últimos meses em virtude da retirada da vigilância 24 horas no começo de 2007. “No ano passado não sofríamos com isso”, destacou na época a diretora da Emeii, Terezinha Lúcia Furquim Gusmão.

Mas o Caiczinho não foi a única escola a sofrer vandalismo neste ano. A Emei Isaac Portal Roldan chegou a ficar uma semana sem aula no início do mês passado. Na ocasião, a secretária de Educação, Ana Maria Daibem, admitiu que um grande número de instituições sofria com o mesmo problema.

De acordo com dados oficiais, a prefeitura conta com aproximadamente 250 vigias que atuam em 140 prédios, com prioridade para locais com maior quantidade de equipamentos. O último concurso foi realizado no início de 2004 e “caducou” durante a gestão Tuga Angerami sem que novos vigias tenham sido chamados. Também não há previsão para a realização de um novo processo de seleção para a função.

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