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Policiais chegam para conter motim ouvindo trilha de ‘Tropa de Elite’

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

Recife - Depois de controlada por volta das 23h de anteontem uma rebelião iniciada seis horas antes no Presídio Aníbal Bruno, no Recife, novo tumulto ocorreu na manhã de ontem no mesmo local, com colchões queimados e presos subindo no telhado. A polícia - batalhão de choque, operações especiais da PM e companhia independente de policiamento com cães - voltou a intervir e a situação foi controlada.

Uma caminhonete do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Pernambuco, acompanhada de um caminhão com policiais, chegou ontem pela manhã ao som da trilha do filme “Tropa de Elite” ao presídio para controlar o segundo motim na unidade em menos de 24 horas.

O comandante do batalhão, tenente-coronel Luís Aureliano, disse que a música “calhou de estar tocando” no toca-CD no momento em que o carro chegava ao presídio. Segundo ele, a música - que é do grupo Tihuana e tem como refrão os versos “Tropa de Elite, osso duro de roer/ Pega um, pega geral, também vai pegar você” - serve de incentivo aos policiais. “Temos muito orgulho de vestir a camisa preta e o uniforme camuflado. É esse o combustível que faz a gente avançar, mesmo sem saber o que nos espera”, disse Aureliano.

O comandante afirmou ainda que os policiais também cantam canções próprias, enaltecendo a categoria, e fazem gritos de guerra durante as ações. “Somos um batalhão com 27 anos no Estado, e temos toda uma mística, que fazemos questão de manter”, disse.

Do lado externo ouviu-se barulho que podia ser de tiros ou bombas de efeito moral. De acordo com a Secretaria Estadual de Ressocialização, tratou-se de um foco de resistência de alguns apenados. A área foi interditada e familiares - desesperados - foram afastados do portão principal.

Um detento - Thiago Batista de Lima, 20 anos - morreu e outros 40 ficaram feridos nos motins. Oito pavilhões do Aníbal Bruno foram atingidos - seis ficaram danificados e dois destruídos. Vistoria realizada nas celas durante a madrugada de ontem resultou na apreensão de armas brancas. Nenhuma arma de fogo foi encontrada.

A primeira rebelião começou anteontem, por volta das 19h, e uma nova rebelião teve início ontem pela manhã. Mais de 300 policiais foram ao local - incluindo o grupo ao som de “Tropa de Elite” - e a rebelião foi controlada à tarde.

Segundo a Superintendência de Segurança Penitenciária, os motivos apontados para o motim foram, entre outros, a morosidade da Justiça nos julgamentos e a transferência de um preso. Mais de 200 homens - do Batalhão de Choque da PM, da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe), da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) e da Operação de Segurança Penitenciária - foram acionados.

Maior presídio do Estado, com capacidade para 1,4 mil presidiários, o Aníbal Bruno comporta 3,6 mil atualmente. Entre as hipóteses que levaram à rebelião incluem-se briga entre detentos, problemas com o chaveiro de um dos pavilhões e transferência de um detento para outra prisão.

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