Lahore - A líder oposicionista e ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto pediu ontem para que o líder militar Pervez Musharraf renuncie ao cargo de presidente e disse que nunca atuará como premiê em um governo dele.
Há muito tempo Bhutto pressiona Musharraf a deixar o posto de chefe das Forças Armadas e se tornar um presidente civil, mas foi a primeira vez que ela pediu que ele renuncie à Presidência.
“Chegou a hora de ele partir. Ele deve renunciar (ao cargo de) presidente”, disse Bhutto em uma entrevista por telefone. Ela falava de Lahore, onde foi colocada em prisão domiciliar horas antes de um protesto contra a imposição do estado de emergência no país.
Oposição deve se unir
O ex-premiê Nawaz Sharif elogiou ontem o pedido da também ex-primeira ministra Benazir Bhutto para que o ditador do Paquistão, Pervez Musharraf, deixe o poder, e afirmou que os líderes opositores devem se unir para dar fim ao regime militar. Sharif pediu a Bhutto e a outros partidos de oposição um esforço conjunto para a volta de juízes federais que Musharraf afastou ao declarar estado de emergência, em 3 de novembro.
Protesto
A detenção de 200 membros do PPP (Partido Popular do Paquistão), partido de Bhutto, e o confinamento da ex-premiê não impediram a marcha contra Musharraf ontem.
Mesmo sem Bhutto, a caravana - de Lahore (leste do país) a Islamabad - teve início sob liderança do líder do PPP em Punjab, Shah Mahmood.
Segundo ele, a marcha chegou a ser detida pela polícia brevemente, mas conseguiu passar. Centenas de pessoas juntaram-se ao movimento e, segundo expectativas de Mahmood, haverá adesão maior ao longo do trajeto de 270 quilômetros.