Guga Kuerten 1
Gustavo Kuerten concedeu entrevista à revista “IstoÉ” que foi às bancas no último final de semana. Ele criticou o tênis brasileiro e a falta de empenho de nossos jogadores, comentou sobre suas limitações para jogar e sobre casos de manipulação no esporte. Sem nenhum top 100 há 13 meses e com apenas três tenistas entre os 200 melhores, o tênis brasileiro vive uma crise que é explicada por Kuerten: “Há uma lacuna quanto ao desenvolvimento do tênis. Tivemos o número 1 do mundo e, passados cinco anos de ‘boom’, o tênis brasileiro está pior do que em 1995, quando entrei no profissional. Isso me deixa indignado. O tenista não precisa ser um gênio. Tem jogadores brasileiros que se acomodam e não dão tudo para ser campeão, como acontece com os caras do exterior. Pensam: “Sou número 80, tenho recompensa financeira, jogo um Grand Slam aqui e ali, tenho certo prestígio. Estou pensando em alguma forma de ajudar”, disse Guga. Também disse que Roger Federer e Rafael Nadal deixaram um buraco entre os 5 primeiros que não querem ser número 1 nem 2 do mundo. Pensam: “O Federer e o Nadal são melhores do que eu mesmo.” Guga voltou a comentar sobre seu estado físico atualmente e disse que não pensa em voltar a vencer campeonatos, quer estar bem para competir de igual para igual com os melhores e quem sabe, ir bem em algum torneio.
Guga Kuerten 2
Guga deixou escapar sua frustração quanto a suas limitações do quadril: “Tenho ainda bastante restrição no quadril. A dor não é minha principal inimiga. Há situações de instabilidade e mobilidade, muito piores do que a dor. No começo deste ano, senti que estava progredindo, que era uma questão de tempo, mas aí ele oscila um pouco. Os dois médicos que me operaram tinham 100% de certeza de que eu voltaria a jogar normalmente. E isso me deixa de certa forma apreensivo. Cadê? Por que não jogo?”, perguntou a si mesmo. Sobre a manipulação de jogos, Guga defendeu as declarações do britânico Andy Murray que disse que os tenistas sabem que existem muitas propostas para entregar partidas. “Jogadores escutam sobre propostas no dia-a-dia. Os caras (apostadores) foram se aproximando, viram que estava cada vez mais fácil e foram se aproveitando”, disse o tenista, que também criticou a ATP (órgão que dirige o tênis), dizendo que não são apenas os jogadores que sabem das coisas, eles (ATP) também e só estão tomando providencias porque o assunto veio à mídia. A última partida de Guga foi no Masters Series de Miami em março.
Tour of Champions
Os brasileiros terão a oportunidade de ver alguns dos principais tenistas do passado na etapa de São Paulo do Tour of Champions que começa no dia 22 de novembro no Ibirapuera. O brasileiro Fernando Meligeni estará participando. Oito jogadores estarão divididos em dois grupos de quatro, jogando todos contra todos. O campeão de cada grupo jogará a final. A programação dos jogos ficou assim: quinta-feira, dia 22 - 17h João Cunha (Portugal) x Henri Leconte (França); 18h30 Sergi Bruguera (Espanha) x Andrés Gomes (Equador); 20h Mats Wilander (Suécia) x Fernando Meligeni (Brasil); 21h30 Bjorn Borg (Suécia) x Gullermo Vilas (Argentina). Sexta-feira, dia 23 – 17h A. Gomes x H. Leconte, 18h30 J. Cunha x S. Bruguera; 20h M. Wilander x G. Vilas; 21h30 B. Borg x F. Meligeni. Sábado, dia 24 – 14h J. Cunha x A. Gomes; 16h30 S. Brugera x H. Leconte; 18h G. Vilas x F. Meligeni; 19h30 B. Borg x M. Wilander. Domingo, dia 25 – 9h disputa do terceiro lugar, 10h30 final. Estarão no torneio nada menos que 25 títulos de Grand Slan: Onze de Borg - seis Roland Garros e cinco Wimbledon. Sete de Wilander - três Roland Garros, um US Open e três Australian Open. Quatro de Vilas - US Open, dois Roland Garros e um Australian Open. Bruguera dois Roland Garros e Gomes - um título em Roland Garros.
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Dica
Jogadores de tênis gastam muito tempo se preocupando com seus adversários e ignoram um dos maiores obstáculos para o sucesso: a rede. A maioria dos erros em golpes de fundo de quadra é de bolas na rede. Então faça que sua bola passe mais alta para não correr o risco de jogá-la na rede. Quando você fizer da rede seu maior adversário aprenderá a adicionar altura nas suas bolas e controlar seus golpes. Você também irá perceber que a pessoa do outro lado é bem mais fácil de lidar.
Curiosidade
O espanhol David Ferrer, vice-campeão do Masters Cup que terminou domingo, contou à revista ‘Deuce’ algumas passagens de sua vida. Disse que quando era criança, às vezes não queria treinar. Seu técnico Javier Piles o trancava em um quarto de dois por dois e só o deixava sair três horas depois, quando os outros garotos terminavam os treinos. Quando tinha 17 anos, decidiu parar de jogar e seu pai lhe disse que se quisesse dinheiro para sair teria que ganhá-lo. E Ferrer trabalhou por um tempo como servente de pedreiro, carregando tijolos num carrinho de mão e batendo ‘massa’, do amanhecer ao anoitecer, ganhando 30 euros por semana. Depois de algumas semanas, decidiu voltar ao tênis. O espanhol disse que não guardou nenhum rancor de Piles por tê-lo trancado várias vezez. “Ele só queria o meu melhor”, disse. A prova disso é que Javier Piles permanece treinador de David Ferrer. Hoje, ele está com 25 anos e já ganhou mais de quatro milhões de dólares só em prêmios.