Islamabad - A Suprema Corte do Paquistão julgou ontem improcedentes cinco petições que questionavam a legalidade da reeleição indireta, em outubro, do ditador Pervez Musharraf. Expurgado de opositores políticos desde que o governo decretou estado de emergência, no último dia 3, o tribunal conduziu uma sessão rápida e previsível.
O último dos seis recursos contra o pleito irá a juízo na quinta e deve ter o mesmo destino. O fato de a Suprema Corte ter questionado a validade de sua reeleição foi um dos motivos apontados por Musharraf para justificar o estado de exceção.
Com o decreto, o ditador - que comanda as Forças Armadas num país onde a Constituição proíbe aos militares o exercício de cargos eletivos - antecipou-se ao veredicto, aprofundando, contudo, a crise política.
O general deu um golpe definitivo na já arranhada imagem de governante moderado e empenhado no combate aos radicais islâmicos, cultivada desde o golpe de 1999 - que lhe rendeu uma proveitosa parceria com os EUA após o 11 de Setembro.
Em apuros para justificar o apoio a um governo que prendeu mais de 2.500 opositores em duas semanas, a Casa Branca tenta agora se distanciar do ditador. Com cada vez mais protestos da oposição no país e mais pressões externas, o futuro do general é incerto.