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Relator adia apresentação de parecer e atrasa o julgamento de Renan

Folhapress
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Brasília - Para tentar embolar a votação da prorrogação da CPMF com o pedido de cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no plenário, a oposição retardou a apresentação do parecer sobre o caso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que deverá adiar o desfecho do processo contra o peemedebista para a próxima semana.

A manobra foi costurada pelo presidente da CCJ, Marco Maciel (DEM-PE), e pelo líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), que acabou nomeado para relatar o caso na comissão. A expectativa era que o tucano apresentasse seu relatório amanhã. O prazo regimental para que o tucano leia seu relatório é de dez dias. Mas, pela tradição na Casa, quando um processo é aprovado com folga no Conselho de Ética, o papel da CCJ é apenas protocolar, enviando o caso para o plenário rapidamente. Se Virgílio seguisse o “script”, o processo seria votado no plenário na quinta. “Inocentemente, a gente pôs água nesse chope”, disse Virgílio, justificando a falta de pressa.

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), convocou uma reunião de líderes para hoje com o intuito de tentar pressionar Virgílio a rever sua posição. A saída possível é se algum líder apresentar um requerimento de urgência, à revelia do tucano, para que o calendário anterior seja cumprido.

A licença de Renan da presidência do Senado expira no domingo. Ou seja, com a manobra da oposição, ele tem duas escolhas: ou renova sua licença até sexta-feira ou renuncia definitivamente ao cargo. Nos bastidores, a estratégia da oposição visa implodir um suposto acordo costurado entre PMDB e PT para salvar o mandato de Renan em troca de votos para aprovar a emenda da CPMF. Pelo trato, a tendência é que a bancada do PT optaria por se abster na votação secreta, o que beneficiaria o peemedebista. A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), negou o acordo. “Não tem acordão nem acordinho, não tem cabimento essa história”, disse.

Com o adiamento do desfecho do caso na CCJ, o caso Renan inevitavelmente acabará colidindo com a tramitação da CPMF no plenário. A previsão é que a emenda seja votada em primeiro turno no plenário na primeira semana de dezembro. “A intenção da oposição é aproximar os dois problemas, e é intenção do governo separá-los”, afirmou a líder.

Antes de saber da manobra, Renan havia comunicado os aliados da base governista que anunciaria sua renúncia ao posto em discurso na própria sessão de quinta-feira, como um gesto para angariar votos de última hora. Além disso, ele mesmo trabalha nos bastidores para tentar emplacar Edison Lobão (PMDB-MA) como seu sucessor, numa articulação com a chancela do senador José Sarney (PMDB-AP). Renan também avisou na semana passada a bancada do PMDB e o Palácio do Planalto que não pretende voltar à cadeira da presidência. Ontem, entretanto, ao saber da decisão de Virgílio, fez circular a informação de que poderia rever sua decisão.

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