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Lula e Cristina Kirchner decidem criar comissão bilateral entre países

Folhapress
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Brasília - O presidente Lula e a presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, decidiram ontem criar uma comissão bilateral para intensificar as relações entre os dois países - Brasil e Argentina. O objetivo é realizar duas reuniões por ano para discutir economia, comércio, temas sociais e energia. A idéia é que o primeiro encontro ocorra em fevereiro de 2008, em Buenos Aires. A sugestão foi apresentada por Cristina Kirchner na conversa com o presidente Lula ontem, no Palácio do Planalto.

Por uma hora, os dois tiveram uma reunião reservada. Depois, por aproximadamente uma hora, seis ministros argentinos e sete brasileiros uniram-se aos dois presidentes para discutir uma série de assuntos. “Nada que estava sendo feito se paralisará, mas se vai reorganizar”, afirmou Cristina Kirchner, em declaração à imprensa, na qual falou de forma geral sobre o encontro com Lula e os ministros, sem abrir espaço para perguntas de jornalistas brasileiros e estrangeiros. Foi o primeiro encontro da presidente eleita com Lula. Também foi a primeira viagem internacional de Cristina Kirchner para visitar um chefe de Estado. A posse de Cristina está marcada para o dia 10 do próximo mês, e Lula é um dos convidados.

Antes de Lula e Cristina se reunirem em Brasília, os governos dos dois países firmaram um acordo de cooperação científica para desenvolvimento de um satélite comum a partir de São José dos Campos (SP).

Durante a reunião no Planalto, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) afirmou que os dois presidentes trataram ainda da intenção de Brasil e Argentina desenvolverem estratégias de defesa sul-americana. Os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Nilda Garret (Defesa, da Argentina) estavam presentes. De acordo com Martins, a conversa entre Lula e Cristina, além das demais autoridades, foi “informal”, pois Argentina e Brasil têm vários pontos comuns. As reuniões da comissão bilateral comandada pelos dois presidentes da República serão realizadas em Buenos Aires e Brasília.

O ministro negou que a negociação para que a Venezuela venha a integrar o Mercosul tenha ocupado parte das duas reuniões realizadas ontem por Lula e Cristina. Porém, o tema está previsto para pauta de discussões no Congresso desta semana. Amanhã, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara vota o parecer do deputado Paulo Maluf (PP-SP) que afirma que há admissibilidade para o ingresso da Venezuela no Mercosul, embora traga uma série de ressalvas à gestão do presidente Hugo Chávez. Lula já saiu em defesa do colega venezuelano, afirmando que há democracia no país vizinho.

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