Economia & Negócios

Em 37 dias, álcool aumenta 21,84%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Os proprietários de veículos flex ou movidos a álcool em Bauru começaram a semana com uma notícia ruim: o valor médio do produto nos postos da cidade subiu 21,84% nos últimos 37 dias, passando de R$ 1,19 para R$ 1,45. Ontem, em alguns estabelecimentos ainda era possível encontrar o litro sendo comercializado a R$ 1,39. Já a gasolina subiu cerca de R$ 0,03 apenas. Até ontem, na maioria dos postos o valor do litro era de R$ 2,49.

Com a atual média de preços na cidade, o valor do álcool já representa 60% do preço da gasolina. A diferença média entre os dois combustíveis é de R$ 1,04. Se essa relação percentual chegar a 70%, abastecer o veículo com álcool fica inviável financeiramente em comparação à gasolina.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Wagner Siqueira, as distribuidoras de combustíveis não dão explicações para o aumento dos preços de custo do álcool. Segundo ele, nos últimos 15 dias as companhias aumentaram em R$ 0,25 o valor cobrado dos postos pelo litro do álcool.

“As distribuidoras só alegam para nós que o preço do álcool está subindo em função do período de entressafra (da colheita da cana-de-açúcar). Mas essa justificativa não é aceitável, porque até dezembro ainda tem usina moendo cana. Além disso, tem álcool de sobra no mercado interno porque as exportações estão baixas”, pontua Siqueira.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa de três distribuidoras (Petrobras, Shell e Ipiranga), mas todas disseram que “a empresa não fala sobre sua política de preços”.

Em função do feriado municipal do Dia da Consciência Negra, ontem, não foi possível falar com a assessoria de imprensa da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), localizada na Capital. A reportagem também não conseguiu falar, ontem, com a diretoria da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana).

Surpresas

Para Siqueira, nos próximos dias podem haver novas surpresas em relação aos preços. “Além dos reajustes constantes dos últimos dias, as distribuidoras estão pedindo para fazermos cotação diária de preços do álcool. Tanto é que ninguém (dono de posto) está conseguindo encomendar carga de álcool com antecedência. Hoje você liga e o preço é um. Depois de amanhã já pode ser outro. Na semana passada os preços de custo subiram quase todos os dias”, reclama o empresário.

Na avaliação dele, os usineiros estariam aproveitando a queda do consumo da gasolina - em função da grande utilização de veículos bicombustíveis - para subir os preços do álcool.

“Até o final do ano novos reajustes virão. Em dezembro as usinas param totalmente de moer cana, e a partir daí, o período de entressafra segue até março. Então, no momento o cenário é de incertezas. Nós (empresários) sabemos da insatisfação do consumidor, mas até o momento só repassamos no preço final o mesmo reajuste que tivemos das distribuidoras e nada mais”, diz Siqueira.

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade anteriormente, em 29 de setembro o preço médio do álcool em Bauru era de R$ 0,93. No dia 13 de outubro, passou para R$ 1,18 (alta de 26,8%). Assim permaneceu até o último final de semana, passando então para a atual média de R$ 1,45.

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