Brasília - Ciente de que ainda não tem os votos necessários para aprovar a CPMF, o Palácio do Planalto fez mais um aceno à oposição ao anunciar que vetará o artigo da medida provisória aprovada na Câmara que permite o repasse de verbas do PAC a Estados e municípios em período eleitoral.
Além disso, vai apenas esperar a convenção do PSDB na sexta-feira para procurar tucanos que estavam propensos a votar com o governo mas que recuaram. Ministros de Lula avaliam que o primeiro passo será contar com a ajuda dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) para que o PSDB não feche questão contra a prorrogação da CPMF. Com isso, acreditam que vão conseguir pelo menos quatro votos.
No caso da polêmica MP 387, de autoria do Executivo, o governo se rendeu às críticas da oposição de que ela poderia ser usada eleitoralmente no próximo ano. O texto aprovado permite que repasses para obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) sejam “obrigatórios”, podendo burlar a legislação que impede essa prática em período eleitoral.
O Senado havia vetado esse artigo, mas a Câmara aprovou a retomada do texto antigo, restabelecendo a medida. No dia seguinte, a oposição anunciou obstrução no Senado, o que impediu ontem o governo de votar quatro MPs, prejudicando a tramitação da CPMF na Casa. O acerto para vetar o artigo foi costurado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), diretamente com o presidente Lula, ontem, no Palácio do Planalto.