Polícia

Polícia caça ladrões da zona Sul

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil está no encalço de dois ladrões que atuam na zona Sul. Cada um deles “trabalha” em uma região específica, mas juntos são responsáveis pela maioria dos furtos em toda a área. Em média, pelo menos um caso é registrado por dia. Por conta disso, moradores de bairros como Jardim Estoril passaram a conviver com a sensação de insegurança.

O sentimento se agrava com o registro de ocorrências mais raras, porém mais graves, como o caso de roubo a mão armada verificado ontem pela manhã na rua Antonio Prudente, também no Jardim Estoril. No local, uma família foi rendida e assaltada por quatro homens, que fugiram e até o fechamento dessa edição não haviam sido identificados. Meses antes, no entanto, o mesmo imóvel foi “visitado” duas vezes.

Nas duas ocasiões, pularam o muro e mexeram na área externa da casa. “Mas quem faz furto, faz furto. Quem faz roubo, faz roubo. Não são as mesmas pessoas. Quem assalta é mais agressivo, está disposto a ir para o confronto”, explica o comandante da 1ª Companhia da Polícia Militar (PM), Willian Carlos Padovini.

De 12 casas visitadas ontem pela reportagem na região do Jardim Estoril, três haviam sido vítimas de roubo e quatro de furtos, nos últimos 12 meses. Os casos, mesmos os mais banais, são tratados com total discrição. O assunto é pouco abordado por moradores, que, na maioria dos casos, aposta na participação de adolescentes.

Menores de idade atuariam nas ocorrências de furto sob a orientação dos dois homens identificados pela polícia. A informação foi confirmada pelo titular do 3.º Distrito Policial (DP), Silberto Sevilha Martins. De acordo com ele, um dos rapazes “trabalha” na região compreendida entre a avenida Getúlio Vargas e a linha férrea que corta a avenida Comendador José da Silva Marta.

Bairros como Jardim Aeroporto, Jardim América e Estoril seriam vítimas dele. “Esse já teve até reconhecimento fotográfico”, explica o delegado. O outro ladrão investigado centraria suas ações na área entre a rodovia Marechal Rondon até a Praça do Líbano, sendo o Jardim Panorama seu principal “freguês”.

Moradores do Jardim Estoril comentavam sobre a existência de uma quadrilha que agiria no bairro. A possibilidade foi descartada tanto pela PM, quanto pela Polícia Civil. “Crimes ocorrem em todos os bairros indistintamente. Eles roubam onde encontram oportunidade”, diz o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) Abel Cortez.

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Difícil de prender

Embora identificados, os dois ladrões que estão na mira da polícia ainda não foram presos por uma questão estritamente legal. Segundo o titular do 3º DP, Silberto Sevilha Martins, a lei prevê detenção para autores de furto somente em caso de flagrante ou sentença condenatória. Ela não prevê, por exemplo, prisão temporária ou preventiva.

“Não é porque a polícia não quer (que as prisões não são feitas). Apesar do número reduzido de funcionários, nós (do 3º DP) estamos fazendo ronda à noite, estamos fazendo o mapeamento dessas áreas”, destaca o delegado. Foi o setor de investigações que chegou nos dois indivíduos.

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Sem hora prevista

Os casos de furto não têm hora prevista para acontecer. Embora o sentimento de insegurança aumente à noite, registros são feitos também durante o dia. A constatação da polícia já havia sido observada por moradores do Jardim Estoril consultados pela reportagem.

Mas se o horário é variado, o modo de agir é normalmente o mesmo. “Pulam o muro e entram mediante arrombamento de janelas. Levam objetos fáceis de carregar, como máquinas digitais e notebooks. Produtos que tenham liquidez, que sejam fáceis de passar”, explica o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar (PM), Willian Carlos Padovini.

De acordo com ele, é comum deixarem marcas de sapatos, pés e mãos nas paredes. “A nossa preocupação é tirá-los de circulação. Estamos trabalhando em conjunto com a Polícia Civil”, comenta o comandante.

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