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Pará afasta 3 delegados por prisão de garota em cela com homens

Folhapress
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São Paulo - A Polícia Civil do Pará afastou, na noite de ontem, três delegados envolvidos na prisão da garota que ficou detida em uma cela com cerca de 20 homens por quase um mês, em Abaetetuba (137 quilômetros de Belém). O Conselho Tutelar do município diz que a garota tem menos de 18 anos. Ela disse aos conselheiros ter sofrido abuso sexual dos colegas de cela e que fez sexo em troca de comida. A jovem foi presa em flagrante por furto em 21 de outubro.

Segundo a Polícia Civil, os delegados ficarão afastados das funções durante a investigação do caso pela corregedoria da corporação. Foram afastados o superintendente regional do Baixo Tocantins, delegado Antônio Fernando da Cunha, a delegada Flávia Verônica, que lavrou o flagrante da jovem e a encaminhou para a carceragem, e o delegado Celso Viana, da delegacia de Abaetetuba. A reportagem tentou ouvi-los, mas a Polícia Civil afirmou que eles não falariam sobre o caso.

Ontem, Viana disse à reportagem que a jovem, ao ser presa, afirmou ter 19 anos e deu um nome que eles suspeitam ser falso. À TV Globo, porém, presos de Abaetetuba disseram que a jovem afirmou aos policiais ter menos de 18 anos, mas que eles não deram atenção a isso. A idade da jovem será investigada. Viana disse também que ela foi colocada com outros detentos porque a delegacia tem apenas uma cela.

Para Aparecida Gonçalves, subsecretária da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, o caso é uma violação dos direitos da mulher. Segundo ela, a ouvidoria do órgão irá acompanhar o caso. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, considerou o caso um “grave ataque ao sistema constitucional brasileiro”.

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