À primeira vista, quem olha para Cícero Aparecido Vieira, 46 anos, imagina que sua profissão é de advogado, ou professor, ou ainda bancário. A camisa social, azul, com o emblema de sua atividade, combina com a também calça social, de cor escura. Toda essa vestimenta é para trabalhar como mototaxista.
Tudo começou quando Cícero se deparou com o desemprego. Após ver a Lacta encerrar suas atividades em Bauru, por falta de opção e devido à idade – estava com 40 anos na época – começou a trabalhar temporariamente na profissão, devido a conselhos de amigos através de perspectiva de ganho rápido. O que seria temporário virou profissão. O motivo da identificação do trabalho? “Receptividade do público”.
A idéia de se vestir socialmente surgiu através dos clientes atendidos, como faculdades e escritórios de advocacia. “Em respeito ao meu cliente, comecei a me vestir assim”.
Em virtude dos riscos da profissão, Cícero seleciona seus clientes. A maneira diferente de se vestir, a fala bem articulada e a educação, além da simpatia, fizeram com que o mototaxista pudesse optar por trabalhar apenas com clientes que também transpiram confiança. Seus horários também são selecionados – ele se dá ao luxo de não trabalhar aos domingos. “Minha clientela está localizada na região central e na Vila Falcão”.
Com sete anos de trabalho, a seriedade demonstrada por Cícero é a garantia que oferece aos seus clientes. Tanto que transporta crianças (são mais de 15, entre 8 e 13 anos) para aulas de inglês e natação e realiza até depósitos bancários, entre outras transações bancárias. “Muitas famílias confiam valores como cheques, depósitos e duplicatas”. Os favores, no entanto, vão além de papéis. Ele também recebe listas para compras em supermercados. “Muitos passam via fone”. Por falar em comunicação, a demanda é tão grande que ele possui dois aparelhos de telefone móvel, sendo que os agendamentos são feitos pelo número 3016-0827.
Cícero se orgulha de nunca ter cometido uma única infração de trânsito. “Nunca caí e nunca bati. Tenho uma ficha de trânsito limpa”. Para ele, o segredo do sucesso é tratar bem os clientes. “Não trato o cliente bem apenas na moto, mas também antes e depois, o que acaba fazendo a diferença”.
Com o salário da profissão, sustenta a família – a filha estuda em escola particular. “Só não uso gravata, pois durante a corrida ela pode esbarrar nos clientes”, brinca. “Mas se quiserem, eu visto. E se meus clientes, que são meus patrões, quiserem que eu use terno, eu uso”, avisa.
A recompensa de tanta dedicação e empenho vem através de convites para festas e casamentos, sendo que já foi até padrinho de clientes.