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Mortes por leishmaniose sobem em 2007

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos cinco anos, 21 pessoas morreram de leishmaniose visceral em Bauru. Só neste ano, sete pessoas não resistiram à doença. O número de óbitos em 2007 já é o maior desde 2003. O total é quase o dobro em relação ao ano passado. O caso mais recente foi confirmado ontem.

Um homem de 76 anos, morador da Vila Camargo, morreu nesta sexta-feira no Hospital Estadual de Bauru, onde recebia tratamento. Com o registro de seu falecimento, a taxa de mortalidade da leishmaniose em 2007 sobe para 26,9%, sendo que a média é de 10%. “Mas não acredito que a doença esteja mais agressiva”, avalia o infectologista Marcelo Pesce.

Na opinião dele, o número de mortes pode ter relação com diagnóstico tardio. Ele próprio já perdeu paciente nestas circunstâncias: chegou com o quadro clínico já muito debilitado. “Se faz o diagnóstico precoce, a chance de sucesso é maior”, acrescenta.

Mas é o estado do sistema imunológico da vítima da leishmânia o principal responsável pelo êxito do tratamento, na avaliação da médica sanitarista do Departamento de Saúde Coletiva, Maria Helena de Abreu.

Vítimas

De acordo com ela, a doença é mais grave em crianças, idosos, cuja imunidade é mais frágil, além de portadores de moléstias como HIV, doença de Crohn (inflamação crônica do intestino) e diabetes, por exemplo. A vítima de ontem demonstrava há tempos estar pouco resistente, segundo confirmou o filho dele.

Para evitar constrangimento, pediu para preservar o nome da família. No entanto, contou que o pai tinha se submetido a cirurgia de coração há um ano e não passava muito bem recentemente. Ele e o irmão até desconfiaram de uma eventual depressão. A vítima tinha um cão, que se submeteu ao exame sorológico, cujo resultado foi negativo. A família não tem idéia de quando e onde o idoso foi infectado.

Como o período de incubação da doença varia entre dez dias e dois anos, Abreu garante não ser possível avaliar a taxa de mortalidade ao analisar um único ano. A pessoa que morre hoje de leishmaniose pode ter contraído a doença há mais de um ano. “Temos de avaliar a epidemia como um todo”, diz. Além disso, nas pessoas saudáveis a leishmânia encontra resistência para se reproduzir.

“Eu mesmo devo ter sido picado e a doença não se manifestou”, comenta o médico veterinário e atualmente chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luiz Ricardo Paes Barros Cortez. De acordo com ele, a melhoria nas condições de vida das pessoas é uma das ferramentas mais eficazes para conter a doença. Segundo ele, em países desenvolvidos como no Sul da Europa, a população é menos suscetível.

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Pequeno

Como o número de mortes por leishmaniose não passa de um dígito, o salto de quatro para sete entre 2006 e 2007 não é considerado significativo para o médico veterinário e atualmente chefe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luiz Ricardo Paes Barros Cortez. Na opinião dele, a quantidade de casos entre os dois anos mantém uma média.

A avaliação, porém, não serve de consolo à população, que não pode relaxar com as ações de prevenção da doença. Além de manter os quintais limpos, deve ter a posse responsáveis de animais. A avaliação é de Ana Maria Lellis Krupelis. A leishmaniose lhe roubou um filho de 26 anos em 2005.

“Acho que as pessoas não estão muito preocupadas. Acham que só vai acontecer com os outros. Mesmo sabendo dos riscos, tem gente que não está nem aí”, diz. Enquanto isso, o CCZ continua fazendo busca ativa de cães com os sintomas da doença, com posterior exame para constatação da contaminação e eutanásia dos animais, se necessário.

Também fiscaliza e autua proprietários de imóveis que apresentem criação de animais proibidos em área urbana e sem ações de limpeza. Agentes do CCZ ainda fazem busca ativa de possíveis novos casos na região onde há registro da doença em humanos, informa a assessoria de imprensa da prefeitura.

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