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Primeiros conversores para TV digital não terão interatividade

Por Tatiana Resende e Simone Cunha | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Os primeiros aparelhos de TV já prontos para receber o sinal digital começam a chegar às lojas na semana que vem, às vésperas do início das transmissões da TV digital no Brasil, em 2 de dezembro, considerado o terceiro marco após o início das transmissões (1950) e da TV em cores (1972). Só três fabricantes, entre as empresas consultadas pela reportagem, confirmam a produção de aparelhos com os conversores digitais já embutidos.

Também chegam ao varejo os conversores para permitir que as TVs já disponíveis no mercado recebam o sinal digital dentro do padrão japonês, o escolhido pelo governo após uma disputa com os padrões europeu e americano. As transmissões digitais começarão pela Grande São Paulo. A previsão é que, até 2013, chegue a todos os municípios. Porém, o sinal analógico continuará a ser transmitido até 2016, por isso não há pressa para a troca ou adaptação dos aparelhos.

Os conversores e televisores digitais encontrados nas lojas a partir da semana que vem virão sem interatividade plena, a possibilidade de o espectador enviar informações às emissoras em testes ou escolhas do final de programas, por exemplo. O coordenador do desenvolvimento do Ginga, software que permite a interatividade, Guido Lemos, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), diz que as indústrias estão em fase de finalização e testes do software nos receptores, por isso não deve haver equipamentos completos no dia 2.

Segundo Lemos, o software está pronto, ao contrário do que dizem alguns fabricantes, mas é preciso fazer adaptações para produzi-los em escala industrial. “No momento, há pelo menos cinco empresas tentando desenvolver o Ginga no menor período possível.” Mesmo assim, ele acredita que vale a pena comprar o conversor incompleto - sem permitir o envio de informações entre telespectador e emissora. “Se eu morasse em São Paulo e tivesse condições financeiras, iria comprar o conversor.”

A interatividade remota, que permite o acesso a informações enviadas pelas emissoras, como a escalação de um time que está jogando, estará disponível nos primeiro aparelhos. Mas para não ficar com um equipamento defasado, o coordenador do Laboratório de TV Digital da Universidade Mackenzie, Gunnar Bendicks, orienta o consumidor a se certificar de que há possibilidade de atualização do equipamento.

Entre os grandes fabricantes, só a Sony, que vai comercializar conversores compatíveis com suas TVs, tem essa opção. O vice-presidente de novos mercados da Samsung, Benjamin Sicsú, concorda que a falta de interatividade deve ficar clara para o consumidor. “Vem outro modelo com interatividade e o consumidor tem de saber disso.”

Segundo Roberto Barbieri, diretor da Semp Toshiba, “até agora não está claro o hardware que será usado” para a interatividade plena, por isso os conversores da empresa não poderão ser atualizados. Essa interação total também depende de um canal de comunicação com o telespectador, como Internet ou telefone. Esse é outro dos entraves apontados pelos fabricantes para viabilizar a interatividade plena. Lemos acredita que o uso dessa comunicação pelas emissoras vai impulsionar as vendas dos equipamentos: o consumidor verá mais diferenças entre as duas TVs e terá mais vontade de comprar a digital.

Para ele, o principal motivo de o preço dos conversores ficar tão acima da expectativa do governo, de R$ 200,00, é o pouco tempo para desenvolver tecnologia e testar os equipamentos. “Tem fabricante que não está lançando modelos porque não tem segurança na máquina.” Sicsú afirma que a indústria ainda está fazendo ajustes nos equipamentos. “Está todo mundo apanhando ainda.”

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