Tribuna do Leitor

Inteligência e não violência


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Não queremos nenhum órgão policial dando flores ou falando amém para os bandidos. E num confronto letal entre a vida do policial e do bandido, que fique vivo o agente da lei. No entanto, não podemos admitir execuções sumárias quando os delinqüentes já se encontram em estado de rendição. O direito à vida e a não pena de morte são cláusulas pétreas do nosso ordenamento jurídico constitucional. E o nosso Código Penal não admite a pena de morte e muito menos justiça com as próprias mãos.

Muita gente depois de assistir ao filme Tropa de Elite adotou o ranço do autoritarismo e começaram a taxar de herói um fora da lei fardado que não diferenciava em nada dos bandidos que ele perseguia. Aliás, infeliz é qualquer sociedade que necessita de heróis.

No entanto, ver neste espaço advogado defendendo o Capitão Nascimento do filme causa uma enorme tristeza e isto prova que alguns profissionais do ramo do Direito não colocam em prática o que aprenderam na Faculdade e disseminam maleficamente no seio da sociedade a irracionalidade jurídica.

Aqui no Brasil o histórico dos esquadrões da morte são sempre os mesmos; começam a matar supostos bandidos, mas depois se insurgem contra os rivais do cotidiano e chegam a executar por inveja, preconceito ou coisas banais. Na década de setenta e oitenta, a Rota executou centenas de inocentes que nem possuíam passagem pela polícia e eram todos pobres. No entanto, quando mataram três jovens inocentes pertencentes às classes sociais mais abastadas e entes queridos de autoridades e políticos, aí resolveram brecar e tirar autoridade daquela unidade policial. É sempre assim, os apologistas da solução final só defendem a barbárie para a senzala, para a casa grande nem pensar.

No Brasil o ladrão do trem pagador de Londres dava palestras em conceituadas faculdades e o rabino Henry Sobel, que furtou umas gravatinhas chiques lá nos EUA, virou o bom ladrão e logo os especialistas disseram que ele tinha um surto psicótico de desvio do comportamento humano que o fazia pegar a mercadoria mas esquecer de pagar. O mesmo tratamento não teve a jovem moça que por furto foi trancafiada dentro de uma cela masculina com dezenas de delinqüentes nesta semana. E nem aquela empregada doméstica que pegou dois anos de cana por ter furtado um xampuzinho.

A polícia tem que ser firme contra a criminalidade e para isto não é preciso haver excessos. A Polícia Federal desmantelou um futuro ataque do PCC aqui no Estado de São Paulo e prendeu uma quadrilha comandada pelo Fernandinho Beira-Mar de dentro do presídio de segurança máxima e não precisou dar um tiro. Essa é a prova de que usando a inteligência investigativa e o planejamento nem sempre precisa recorrer para a dureza e a letalidade.

Pedro Valentim - RG 19.198.011-0

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