Regional

Comunidade Negra de Lins é a favor de feriado e cotas

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - O Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CPDCN) de Lins (102 quilômetros de Bauru), se posiciona a favor do sistema de cotas para negros em universidades e do feriado nacional no dia 20 de novembro.

A presidente do CPDCN, Maria Aparecida Saldanha Rosas Gonçalves, acredita que existe “dificuldade” do governo em reconhecer, com um feriado nacional, o único herói negro brasileiro. “Nós achamos que tem que haver o reconhecimento da história da qual o protagonista é Zumbi dos Palmares, que é o nosso único herói negro e brasileiro. Eu acho que a dificuldade que existe em fazer que este feriado seja nacional é reconhecer um herói do povo”, diz.

Dessa forma, Gonçalves explica que o Conselho apoia o implantação do dia 20 de novembro como feriado em Lins. “Nós buscamos sim este feriado aqui em nosso município porque achamos que o dia 20 de novembro não é um dia qualquer”, confirma.

O sistema de cotas para negros em universidades também é apoiado pelo CPDCN de Lins. Gonçalves acredita que, ao contrário do que muitas pessoas possam pensar, as cotas não vão gerar mais preconceito do que já existe

“Nós também apoiamos o sistema de cotas porque enquanto Conselho, enquanto mulher, enquanto negra, mãe de jovens adolescentes negros, nós acreditamos que a cota não é uma forma de agregar mais preconceito. Muitas pessoas têm esta idéia mas eu acho que é mais uma questão de reparação”, diz. “Embora ele (jovem negro) seja capaz de entrar na universidade, tem muitas dificuldades, muitas barreiras para que isso aconteça. O sistema de cotas veio favorecer”, completa.

Projetos

Durante a última semana o CPDN promoveu uma extensa programação para marcar a Semana da Consciência Negra. Mas o trabalho do órgão não se resume apenas a uma semana do ano. Gonçalves lembra que o Conselho, composto por 22 membros, tem realizado vários projetos voltados para a comunidade negra. Dentre eles um grupo de teatro amador, conhecido por Afro Lins, e um grupo que realiza danças afros.

“Há duas semanas, nós fizemos por duas ocasiões, durante todo o dia, palestras na fundação Casa, a antiga Febem. Foi um bate-papo mesmo”, conta a integrante do Conselho. “Nós temos projetos dentro das escolas para divulgar o nosso trabalho de conscientização. A diretoria das escolas estão sempre de portas abertas e nós vamos fazer as palestras”, diz.

Segundo Gonçalves, o CPDCN também “luta” para conseguir mais apoio do Poder Público. Atualmente o Conselho conta com o apoio da Secretaria da Educação e de um vereador. “O que nós gostaríamos de estar acrescentando sempre é a questão da conscientização da população, porque o trabalho do Conselho visa isto. A colaboração para que nós possamos desenvolver mais trabalhos e possa ter a participação de toda a população e, principalmente, nós gostaríamos de ter um apoio maior do Poder Público”, ressalta.

De acordo com Gonçalves, o CPDCN não conta com ajuda financeira. “Nós trabalhamos com a cara e a coragem”, conclui.

Dentro das comemorações da Semana da Consciência Negra, que acontece em Lins, para esta sexta-feira está programada uma sessão solene na Câmara Municipal, às 19h30. No próximo sábado é a vez do Desfile da Beleza Negra na quadra da Unilins, às 19h. Haverá a entrega do título “Deus e Deusa do Ébano”, onde os três primeiros colocados receberão prêmios. No domingo, dia 25, o evento será encerrado com uma missa na Igreja São José Operário, na rua Santos Dumont, n.º 27.

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Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares nasceu em 1655 em um quilombo instalado na Serra da Barriga, onde hoje é o estado de Alagoas. Ele foi capturado quando criança por soldados que o deixou em uma paróquia de Porto Calvo.

Em 1694, com 15 anos, fugiu e retornou ao quilombo. O bandeirante Domingos Jorge Velho, armado pelas autoridades coloniais, destruiu o quilombo dos Palmares. Depois de um combate difícil, Zumbi foi injustiçado e teve sua cabeça decapitada e exposta ao público. Morreu no dia 20 de novembro de 1695 e se tornou um herói por lutar pela liberdade.

O quilombo dos Palmares durou mais de 60 anos e chegou a contar com uma população de 20 mil habitantes.

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