Não é de hoje, a Irlanda faz campanha contra a carne brasileira. Dona de 15% das exportações de carne bovina dentro da Comunidade Européia, o país não mede investimentos e usa as mais diferentes estratégias para atacar nossa pecuária. Até o momento, no entanto, apesar do arsenal pesado os tiros têm saído pela culatra.
Nos últimos meses, três novos ingredientes desse embate ajudaram a mostrar o crescente desespero dos irlandeses. O primeiro envolve a Associação dos Pecuaristas da Irlanda (IFA). Há alguns meses, o editor de Pecuária da IFA, Justin McCarthy, esteve no Brasil. Objetivo: investigar obscuramente a pecuária brasileira e retratar seu lado mais tenebroso para se defender do nosso avanço sobre o seu mercado cativo.
Ele conclui que a pecuária brasileira trabalha sem rastreabilidade, a remoção de brincos dos bovinos é corriqueira, o trânsito animal é ilegal e irresponsável, usamos hormônios de crescimento proibidos, há riscos iminentes de novos casos de febre aftosa e por aqui não se sabe o significado de biosseguridade.
A segunda envolve a EBLEX, entidade inglesa que defende e define padrões da carne. Em sua última decisão, a associação define que carne com gene de bos indicus não tem padrão de qualidade. A EBLEX se apóia em “pesquisas” que apontam que carne de qualidade é de bos taurus (raças de origem européia) e ponto final.
No começo de novembro, nova atitude desesperada da IFA. Um grupo de produtores associados à entidade protestou diante da sede da Comissão Européia, exigindo a divulgação de um relatório veterinário da União Européia referente ao controle de segurança alimentar e prevenção de febre aftosa no Brasil.
Sabemos bem dos desafios da nossa pecuária e não precisamos que “inimigos” comerciais nos mostrem esses obstáculos. A pecuária brasileira é uma atividade jovem e em crescimento, com gestão profissional crescente.
Mas que os problemas identificados pelos irlandeses em nossa terra e a discutível decisão da EBLEX sirvam de alerta para toda a pecuária brasileira, de que é preciso fazer a nossa parte e de maneira transparente.
Espero que mais esses alertas sejam entendidos pelos elos da cadeia pecuária do Brasil. Essas reportagens estão ficando repetitivas, e exatamente por isso podem começar a fazer sentido. E precisamos fazer tão pouco para evitar esses constrangimentos!
O autor, Ian Hill, é diretor da Agropecuária Jacarezinho - Valparaíso-SP e Cotegipe/BA - www.agrojacarezinho.com.br