Que o campeão só sairia no domingo que vem, isso todo mundo já sabia. Mas há tempos a Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA) não via uma decisão tão “indefinida” como a que vem sendo disputada entre Ipiranga e Juventude/Petrópolis. A primeira partida da final, disputada ontem de manhã no Estádio Distrital Sílvio de Magalhães Padilha, terminou empatada em 1 a 1. Com isso, as duas equipes terão de suar dobrado na semana que vem, caso queiram levantar a taça.
Quem vencer será campeão, independentemente da campanha realizada nas fases anteriores. Se houver um novo empate, o título será decidido nos pênaltis. Antes da bola rolar, os técnicos apresentavam expetativas opostas com relação à partida.
No Ipiranga, atual bicampeão do torneio, a ordem era partir para cima do adversário. “Vamos jogar no ataque e tentar decidir tudo hoje. Assim poderemos entrar mais tranqüilos no jogo da semana que vem”, afirmou o técnico Alfredo Garcia. Já o treinador do Juventude/Petrópolis, Cícero Batista, preferiu adotar uma postura mais humilde.
“Se eu te disser que eu tinha pretensões de chegar a esta final, estaria mentindo. Minha intenção, no começo do campeonato, era montar uma base para os próximos anos”, reconheceu.
Isso não queria dizer, porém, que Cícero Batista estava disposto a entregar a taça de bandeja para o rival. “Agora que chegamos até aqui, temos de batalhar até o final”, enfatizou.
E batalharam mesmo, como nunca haviam lutado até então. O Juventude ocupou todos o espaços do campo e não deu chances para o Ipiranga atacar. Com os cabelos pintados de azul (em alusão às cores do clube), os jogadores do time da zona oeste tiveram dificuldades para criar jogadas.
Não que as coisas estivessem fáceis para o clube do Gasparini. O Ipiranga marcou pesado e fechou os espaços para rival. Resultado: ninguém era capaz de criar jogadas. Cada equipe ficava à espera de um erro do adversário.
E o deslize veio, aos 32 minutos do primeiro tempo, para ser mais exato - pior para o Juventude. Após cobrança de escanteio pela esquerda, a bola espirrou e sobrou nos pés de Ratinho, do Ipiranga. O atacante, que estava de costas para o gol, conseguiu dominar a pelota e bater forte no canto - um tiro indefensável, capaz de furar as redes - sem chances para Jé.
Mas o jogo permaneceu truncado. No intervalo, Alfredo Garcia decidiu mexer no Ipiranga: colocou Roberval e Cléber, respectivamente, no lugar dos atacantes Pára-raio e Batata, que não vinham rendendo em campo.
Mas as mudanças não surtiram o efeito desejado, e o segundo tempo foi todo do Juventude. Logo aos 4 minutos, Mazzaropi avançou pela direita e bateu cruzado. O goleiro Alexandre, do Ipiranga, teve dificuldades para fazer a defesa.
Um minuto depois, o meia Biano, do Juventude, percebeu Alexandre adiantado e resolveu arriscar do meio da rua. Para sorte do Ipiranga, o arqueiro conseguiu se recuperar a tempo, espalmando a bola para fora.
Mas aos 9 minutos, não teve jeito. Em um lance de ataque do Juventude, o centroavante Animal disputou a bola com a zaga e conseguiu achar Paulinho livre. O lateral-direito fuzilou Alexandre, que ainda conseguiu fazer a defesa. Só que a pelota acabou indo parar nos pés de Biano, que só teve o trabalho de empurrá-la para o fundo das redes.
Depois disso, o ímpeto ofensivo das equipes caiu. Tanto Ipiranga quanto Juventude/Petrópolis pareciam estar mais preocupados em segurar o empate do que em criar uma vantagem para o jogo decisivo.
Talvez por esse excesso de cuidado dos atletas, o lance mais inusitado do jogo tenha ficado por conta do árbitro Benito Braz Pereira. Devido a uma falha em seu cronômetro, ele encerrou a partida aos 40 minutos do segundo tempo. Quando foi informado do erro pela comissão de arbitragem, os jogadores dos dois times já estavam sem uniforme, prontos para ir embora.
Pereira teve trabalho para convencê-los a voltar a campo para jogar os cinco minutos que faltavam. Também pudera: uma chuva fina e incômoda começou a cair sobre o estádio, não dando trégua aos atletas. Semana que vem, às 10h30, as duas equipes voltarão a se encontrar, no mesmo Padilhão.
Torneio da Morte
No Distrital Horácio Alves Cunha, Vila Garcia venceu o Falcão por 3 a 0 com gols de Carneiro, Paulo Cardoso e Heberson. A vitória aumentou as chances do time da Vila Garcia no Torneio da Morte, que dá ao vencedor a chance de permanecer na Primeira Divisão do Campeonato da Liga Bauruense de Futebol Amador.