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Sonho do curso universitário


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Nesta época em que acontecem os vestibulares de quase todas as faculdades do país, fica mais evidente o sonho da maioria dos jovens de serem universitários. Não vêem a hora de pôr em prática algumas idéias, de transformarem o mundo pelo conhecimento na área em que se identificam. Estão certos, pois o que traz valor para as pessoas e para a sociedade, no longo prazo, é o conhecimento, não a informação. De nada adianta, por exemplo, ter a informação do peso e da resistência de um tijolo se não se tem o conhecimento de que ele pode ser usado para construir casas.

Infelizmente, apenas 11% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados numa Instituição de Ensino Superior – IES. Desses, os que conseguem uma vaga numa IES Pública representam 30% dos universitários brasileiros. Os jovens que entram nas IES Particulares têm muita dificuldade de nelas se manterem e, conseqüentemente, o desafio é apoiá-los para que concretizem seus desejos. Estima-se que nas IES Particulares do Estado de São Paulo a evasão chega a 16%. Os motivos são vários, mas o financeiro é, sem dúvida, o maior. A grande expansão da educação superior do país deveu-se, principalmente, ao atendimento da demanda das classes A e B, que podiam pagar pelo ensino superior particular, mas que estavam sendo atendidas pelo ensino superior público. Hoje o desafio é atender às classes de menor renda - as únicas que registraram crescimento de 2001 a 2006, segundo dados da pesquisa PNAD/IBGE - e que representam 81% da população.

Infelizmente, o sonho de muitos dos que permanecem nas Universidades, acaba se fragilizando. Não conseguem entender a importância delas nas suas vidas; buscam a fama, o sucesso ou o dinheiro e acabam percebendo, muito cedo, que isso não é fácil de se obter apenas com o diploma. A Engenharia Econômica mostra que para ser milionário, basta aplicar R$ 59,70 - dinheiro de pizza - todo mês numa poupança que remunera 1% ao mês e, ao final de 60 anos, terá um montante de R$ 7.786.614,16 - e será um hepta-milionário. Assim, se a meta é acumular muito dinheiro, basta economizar R$ 1,99 por dia e se atingirá esse objetivo sem cursar uma Universidade.

E a paz interior corporativa? Ela começa quando equacionamos o nosso equilíbrio, simplicidade, sucesso e eficácia, que nos permitem estudar e ter conhecimento. Mas, para atingir um resultado positivo nessa equação, é preciso saber conhecer as nossas necessidades e viver de acordo com os nossos valores, sem deixar o conhecimento para trás. Ninguém despreza o valor da informação certa, na hora certa, principalmente aquela de caráter competitivo. Porém, a informação – como o dinheiro - tem caráter cumulativo, enquanto o conhecimento é seletivo, ou seja, enquanto a informação pode ser buscada na hora em que dela necessitamos, e armazenada, se for necessário, o conhecimento exige inferência e uso para gerar valor. Seus alicerces são a reflexão, o questionamento e a pesquisa. Isso é, o conhecimento tem um modelo que transporta as idéias para o reino da inovação no qual o binômio conhecimento / criatividade não é paradoxal e não assusta.

As universidades precisam converter a área de conhecimento numa ilha de estudo, não numa lista vulgar de regras. Precisam formar os alunos para a vida, e não simplesmente para a prova. Precisamos transformar o ensino universitário não no infindável e chato exercício de memorização e cópia, mas na oportunidade de levar os alunos a refletirem sobre temas reais, mostrando-lhes que nas regularidades e irregularidades do sistema há muito mais a ser estudado e pesquisado; precisamos transformar um erro – como o que o aluno comete numa prova - num momento de aprendizagem, não de culpa.

Que bom se todo Universitário tivesse a percepção de que o conhecimento só serve para ser compartilhado ou gerar valor. O conhecimento retido na pessoa é um desperdício. A sabedoria, por sua vez, é todo o conhecimento aplicado. Quando se usa conhecimento para viver melhor, produzir melhor, está se exercendo uma certa sabedoria.

Que bom se todo docente tivesse como meta identificar os pontos fortes de seus alunos e incentivá-los para que os aprimorem. Professores bons são os que ajudam os alunos a criarem base (para crescer) e “asas” (para voar). Nada é mais importante que descobrir o que os alunos têm de melhor - seus pontos fortes e suas virtudes - e ajudá-los a ter consciência disso. Ao priorizar os valores de nossos universitários e seus conhecimentos, eles perceberão que valem muito mais que R$ 1,99 diários de poupança; a paz interior vale muito mais que a fama, o sucesso e o dinheiro. E aí ela passará a ser um substantivo concreto e nossos jovens, certamente, lutarão para freqüentar e permanecer em nossas IES Particulares ou Públicas na busca, principalmente, de conhecimento e sabedoria.

O autor, José Marta Filho, é ex-docente da Unesp, professor da FCE / ITE e diretor das FIO

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