Economia & Negócios

Eleição no Sindtran vira caso de polícia

Por Da Redação | Com Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O resultado da eleição no Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran) de Bauru foi definido na última sexta-feira, mas o assunto está longe de um final feliz e que agrade a todos. Logo após a votação, teve início a contagem de votos que deu a vitória à chapa 2, com 316 votos contra 197 da chapa 3. A situação abocanhou 58 votos. Foram ainda sete votos em branco e outros sete nulos.

Descontentes com o resultado e a maneira pela qual o processo eleitoral foi conduzido, a chapa 1, da situação, afirma que irá novamente acionar a Justiça.

O advogado da entidade sindical, José Marques, avisa que a eleição está sendo impugnada, “por uma série de irregularidades constatadas durante o processo eleitoral”. O sindicato dos condutores entende que a transferência da sede do processo eleitoral para o Sindicato dos Bancários fere não somente o princípio de autonomia, mas também o estatuto e a própria Constituição, que proíbe a interferência de estranhos junto a entidade sindical. “Apenas duas chapas, as de oposição, participaram da comissão eleitoral, não havendo paridade como pretendia a Justiça. O representante da chapa 1 foi excluído do processo”, alega.

O descumprimento do roteiro de urnas é outro item que faz parte da impugnação, explica o advogado. Ele alega que mais de 50% dos votos não foram coletados. “Instalaram uma urna em praça pública e o estatuto exige que todo e qualquer participante de chapa fique no mínimo a 100 metros de distância e todos ficaram em cima da urna, além do furto de uma urna no sindicato, que está sendo apurado pela polícia”, explica.

Roubo

Na última sexta-feira, durante a votação uma urna localizada na sede do sindicato e que contabilizava 13 votos foi roubada. Tudo começou após princípio de confusão por volta das 16h. A urna estava lacrada e os mesários preenchendo a ata de encerramento da votação, quando o circuito interno de televisão teria identificado três indivíduos subtraindo a urna, além da lista de eleitores que nela votaram bem como os documentos que faziam parte da mesa diretora.

As câmeras de filmagem mostram ainda que ela foi encontrada em uma caixa d’água do próprio Sindtran. Com a presença de oficiais de Justiça, a comissão eleitoral optou por reunião extraordinária, onde foram desconsiderados os votos da urna denominada 1b. A chapa 1, derrotada, não participou do encontro.

De acordo com Jorge Moura, assessor jurídico da chapa 2, o grupo irá fazer de tudo para manter o resultado. “Estamos tranqüilos em relação a isso, pois ganhamos com quase o dobro de votos”, afirma. O advogado informou ainda que três pessoas foram interrogadas e não confirmaram o fato. A Polícia Militar lavrou boletim de ocorrência e apreendeu uma CPU contendo as imagens do ocorrido.

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Confiança

Mesmo diante da possibilidade de impugnação do pleito através da Justiça, o presidente eleito doSindtran José Rodrigues da Silva, está confiante em assumir o cargo – o último dia da situação no poder é 9 de março de 2008. Para Silva, sua chapa tem o direito de assumir o sindicato, pois foi eleita “através do voto da categoria”.

A linha de trabalho à frente do Sindtran será marcada pela defesa dos diretos da categoria e a volta dos cobradores, meta estabelecida durante campanha. “As empresas estão tirando (os cobradores) e o motorista está andando sozinho. Nós vamos continuar lutando pela vota dos cobradores nos ônibus”.

A chapa 2, denominada “Em Trânsito”, é composta ainda por Valter Dutra Pereira (secretário geral), Luiz Antônio da Silva (secretário adjunto), e Jair Tadeu Medeiros Alves (diretor financeiro).

A reportagem do Jornal da Cidade entrou em contato com o Sindtran e foi informada de que o atual presidente, Antônio de Freitas, estaria em São Paulo. Nenhum diretor foi encontrado para comentar o assunto.

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