Tribuna do Leitor

Ao mestre (Gino Crês) com carinho


| Tempo de leitura: 4 min

Recentemente, fiz uso deste democrático espaço e, para minha surpresa, fui mal-interpretado. Na oportunidade, além de não aceitar ser incluído no rol dos devotos da mãe de Jesus (assim como de nenhuma outra ), discorri sobre um assunto um tanto quanto polêmico - a questão da reverência e respeito às imagens de escultura, bem como a idéia que se tem de que temos outros intercessores, além de Cristo.

Em primeiro lugar, caro professor, o senhor não vai achar nenhuma referência em minha carta citando nominalmente os católicos, até porque outras religiões e seus fiéis depositam fé em objetos, santas, santos e tantas outras imagens de escultura que também são por eles reverenciados. Encontramos exemplares de imagens de escultura em muitos outros templos também, a saber - os terreiros de umbanda e candomblé, as igrejas budistas... Tenho, aliás, um grande apreço por todas as pessoas e respeito todas as crenças. Acontece que achei o momento muito oportuno para, à luz da Bíblia, expor os fatos, afinal, a Constituição me concede tal liberdade e, a Bíblia Sagrada, me comissiona a pregar a Palavra, sem com isso parecer fanatismo.

Embasado na Palavra de Deus, procurei, de uma forma breve, relatar aquilo que é bem transparente nas escrituras. Observe novamente... Êxodo 20:4-6 “Não farás para ti imagem de escultura... não as adorarás, nem lhes darás culto...”, Isaías 44:9-26 “Um homem corta para si cedros... ou um carvalho... tais árvores servem ao homem para queimar; com parte de sua madeira se aquenta e coze o pão; e também faz um deus e se prostra diante dele, esculpe uma imagem e se ajoelha diante dela, prostra-se e lhe dirige uma oração... nada sabem nem entendem porque se lhe grudaram os olhos para que não vejam... nenhum deles cai em si, já não há conhecimento nem compreensão... metade queimei e cozi o pão... e faria eu do resto uma abominação? Ajoelhar-me ia diante de um pedaço de árvore? Há, pelo que se pode perceber, uma posição clara da Palavra de Deus quanto à construção, reverência e prestação de culto àquelas que nada vêem ou sabem. Não dá para fugir do que diz a Palavra. O nobre professor citou uma passagem bíblica interessante - Números 21:8-9” Quando o Senhor Deus mandou Moisés fazer uma serpente de bronze...”. O caro amigo esqueceu-se apenas de mencionar o que aconteceu em seguida... II Reis 18:4... quando alguns israelitas começaram a adorar a serpente e a prestar-lhe culto, pois até queimavam incenso. Por causa disto, nos dias do rei Ezequias, essa figura de bronze foi destruída e o rei a chamou de Neustã ( pedaço de bronze ), dando a entender que era apenas um pedaço de metal. Isso sem falar no famoso bezerro de ouro. Quanto aos querubins, outrora construídos, serviam apenas como ornamento artístico e não objetos de culto ou adoração, pois Deus jamais permitiria isso; prova disto é que tanto a serpente de bronze quanto o bezerro de ouro foram destruídos. Bem, se as imagens são apenas recordações dos irmãos da fé, como tem sido propagado, por que então se presta consagração, procissão por todo o País, utilizando até carros do Corpo de Bombeiros, com oferecimento de flores e toda sorte de coroação? Por que curvam-se diante delas, faz-se pedidos, poesias, cânticos e também oferendas? E se, após tudo isso, o nobre professor insistir em dizer que tais práticas não são consideradas adoração e idolatria - como o senhor mesmo colocou -, então fica difícil definir tais termos. Como interpretar tais atitudes à luz de Êxodo 20? Assim, a declaração que se tem de que “a honra devolvida nas santas imagens é uma veneração respeitosa”, não uma adoração; parece mais uma “charada” teológica, que é difícil de ser compreendida. Também tem se propagado até os dias de hoje que os santos intercedem pelos fiéis. Ora, a Bíblia diz em I Timóteo 2:5 que há um só intercessor, mediador entre Deus e os homens, a saber - Jesus Cristo.

Como pôde ver, eu mostrei à luz da Bíblia que não devemos construir, adorar ou reverenciar imagens de escultura. O senhor pode, perfeitamente, me mostrar o contrário; porém, sem “achismos” ou retórica, frutos de um conhecimento puramente intelectual ou oriundo de manifestações culturais que são passadas de pai para filho.

Longe de mim qualquer tipo de guerra santa, fanatismo religioso ou discussão vã, mas não posso me calar diante de tamanha contradição, daquilo que se tem crido e pregado por alguns e o que diz a Palavra de Deus. Longe de mim também ter a pretensão de mudar seus conceitos religiosos, até porque quem convence os homens é o Espírito Santo. Mas deixo aqui uma ressalva: a verdade precisa e irá sempre prevalecer. Um forte abraço.

Edson Ortigoso Romero

Comentários

Comentários