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Polícia apura denúncia de racismo

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil de Bauru está investigando suposto caso de racismo ocorrido em uma farmácia localizada na Vila Industrial, no dia 18 de agosto.

Segundo consta no Boletim de Ocorrência (BO), o segurança James de Oliveira compareceu até o local e solicitou um cartão de recarga de celular de uma operadora. Após pagar pelo produto, Oliveira foi até o bar de um amigo e raspou o código de barras para inserir os números em seu aparelho. O cartão, no entanto, pertencia a outra operadora. O segurança retornou ao estabelecimento e informou à vendedora o ocorrido, exigindo assim a devolução de seu dinheiro. Como o cartão já havia sido raspado, o segurança foi informado que o cartão teria de ser vendido para que fosse feito o reembolso.

Oliveira teria dito à proprietária, identificada como Rose, que queria o cartão ou o dinheiro de volta, afirmando que o cliente sempre tem razão. A reação da proprietária, de acordo com o BO, foi a seguinte: “Sai daqui, seu nego”. O documento relata ainda que é fato comum Rose se dirigir a seu marido e filho como “nego”. Os policiais militares foram acionados pela vítima, que recebeu outro cartão de recarga e pequena diferença em dinheiro.

Os dois lados

James afirmou não perceber a troca de cartões no momento da compra. “Depois que eu vi que o cartão estava errado”, justificou-se. A proprietária, que ainda tentou fazer a recarga – sem sucesso – teria respondido que não faria a devolução do dinheiro ou a troca do cartão. A dúvida de Rose era se o segurança teria passado a recarga para outra pessoa. Com os ânimos exaltados, Oliveira afirmou que disse para a proprietária “pegar o dinheiro e dar de dízimo”, em alusão à sua religião. “Entra uma pessoa aqui e vocês colocam a máscara do Evangelho, as pessoas saem e depois vocês a tiram”, foi outra frase proferida por Oliveira, que ameaçou entrar em luta corporal com os proprietários do estabelecimento, mas foi contido por um colega. Logo depois disso, ele teria sido ofendido.

Quem falou com o Jornal da Cidade foi o marido de Rose, João Antônio Basílio. No momento do ocorrido, Basílio estava em seu escritório, localizado em um cômodo atrás do estabelecimento. Ele disse que a esposa propôs ligar na operadora cujo cartão estava raspado para obter dados se o mesmo havia sido utilizado, mas o segurança negou o pedido, dizendo que precisava fazer uma ligação. “Minha esposa chama eu e meu filho dessa forma, carinhosa, e não foi intuito ofender ninguém. Ele (James de Oliveira) ofendeu minha religião na frente dos policiais”, rebateu.

James de Oliveira disse que entrou com processo contra os proprietários da farmácia por danos morais.

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