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Em meio a elogios, Lula defende taxas no petróleo

Folhapress
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Brasília - Em evento ontem de lançamento do relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que neste ano enfoca as mudanças climáticas, o presidente Lula sugeriu a taxação do petróleo no mercado mundial como uma forma de incentivar o uso do etanol brasileiro produzido a partir da cana-de-açúcar.

A declaração do presidente é um recado direto aos EUA, importadores de petróleo e produtores do etanol a partir do milho, tipo de combustível que, segundo a ONU, não evita a emissão de gás carbônico ao longo do processo de plantio, colheita e produção. “Vejam que absurdo: para que o Brasil exporte o seu etanol para algum país do mundo, tem uma sobretaxa enorme, quase dobrando o preço do nosso álcool. Entretanto o petróleo comprado dos países de petróleo não paga nenhuma taxa. Cadê o equilíbrio comercial? Cadê a vontade de despoluir o planeta? Cadê a vontade de diminuir a emissão de gases de efeito estufa? Poderia começar taxando o petróleo.”

Lula disse que os EUA continuarão produzindo etanol a partir do milho. “Se depender de cada nação tomar as decisões a partir das suas necessidades internas, os EUA vão continuar produzindo etanol de milho, porque quem vota nos EUA são os produtores de milho, e por isso é importante subsidiar, em detrimento de outras coisas que podem produzir álcool com muito mais eficácia.”

Kevin Watkins, redator principal do relatório do Pnud e defensor de um imposto para a emissão de gás carbônico, mostrou-se simpático à idéia de Lula. “O etanol baseado na cana-de-açúcar produzido no Brasil é mais barato, mais eficiente e tem um impacto maior na redução das emissões do que o etanol baseado no milho produzido nos Estados Unidos”.

Antes de falar, Lula ouviu elogios de dois representantes do Pnud. O primeiro foi o próprio Kevin Watkins. “Levando em conta sua liderança nos últimos anos, acredito que testemunhamos um avanço extraordinário em muitas dimensões do desenvolvimento humano”, disse Watkins, citando o Bolsa Família como exemplo. “Sob sua liderança, o Brasil mostrou que, sim, é possível conter o ciclo de injustiça e estabelecer um novo rumo de ações de desenvolvimento.”

Os elogios a Lula prosseguiram com Kemal Dervis, administrador do Pnud. “O Brasil é uma exceção (diante do crescimento da desigualdade em outros países) e por isso gostaria de parabenizar o presidente Lula e o seu governo”, afirmou. Embalado pelos elogios da ONU, Lula colocou o Bolsa-Família no topo de um ranking pessoal de programas de transferência de renda.

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