Em menos de 30 dias o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru inicia as aulas do curso de técnico de construção civil, que vai funcionar no Núcleo de Tecnologia da Construção Civil. A escola, que está sendo construída dentro da área-sede do Senai, só será inaugurada em março, mas as aulas começarão já no dia 28 de janeiro.
“O primeiro termo do curso, que corresponde a toda a fundamentação tecnológica, será ministrado nas salas de aula já existentes. Na segunda metade do semestre, os alunos já começarão a usar a nova ala, inclusive com os laboratórios”, explica Reinaldo Munhoz, diretor do Senai em Bauru.
As inscrições para o exame, cujo investimento é de R$ 31,00, estarão abertas entre 2 e 8 de janeiro e a prova será aplicada no dia 12. Conforme Munhoz, os candidatos aprovados serão isentos de quaisquer honorários, já que o curso é gratuito. Para disputar uma das vagas, o interessado deve ter concluído o ensino médio.
Estão sendo disponibilizadas 64 vagas, sendo metade para o período da tarde e o restante para o expediente noturno. O curso tem duração de dois anos, com quatro horas/aula dia, e o próximo processo seletivo será realizado apenas em 2011. De acordo com o diretor do Senai, serão contratados mais 14 professores.
“Acreditamos que o aluno do período noturno será aquele profissional que vem da construção civil, como o mestre-de-obras, técnicos e até engenheiros, que buscarão toda essa base tecnológica disponível. Já no período da tarde, nosso aluno será o jovem concluinte do ensino médio, que pretende iniciar uma carreira no setor da construção civil”, ressalta Munhoz.
O diretor explica que o curso habilitará o aluno a participar de projetos de obras, supervisionar execuções de sistemas construtivos e ter participação no controle tecnológico de métodos e materiais. Além dessas habilitações, o aluno recebe também o registro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea).
“O que nós propomos é uma mudança no perfil do profissional da construção civil. Esse curso vai habilitar técnicos para trabalhar na gestão dos canteiros de obras. O aluno também se transformará num profissional que vai se somar à estrutura da construção civil já existente, cujo perfil hoje precisa ser realinhado”, define Munhoz.
Os ambientes criados no Núcleo Tecnológico do Senai vão conduzir o aluno a uma situação real da atividade de trabalho. “Ele vai trabalhar numa situação típica de um canteiro de obras até o laboratório de altas e complexas tecnologias”, completa Munhoz.
O diretor ressalta que, apesar do curso enforcar as novas tecnologias disponíveis no mercado, o aluno não deixará de aprender funções consideradas básicas para o exercício da profissão, entre elas a marcação de obras.
Objetivos
Na opinião de Munhoz, o grande mérito da escola da construção civil será a redução de desperdício de materiais nas obras, de acidentes de trabalho e também da informalidade, que atinge cerca de 50% dos trabalhadores do setor. “Esse curso tem essas funções. Buscamos a qualificação e a competitividade no setor”, acrescenta.
O Núcleo de Bauru será o segundo no Estado de São Paulo a entrar em funcionamento. Hoje, na Capital, existe um em operação no bairro do Tatuapé. Segundo Munhoz, o grande objetivo do Senai/Bauru é tornar a unidade referência no Brasil num prazo de cinco anos.
“Para isso, buscaremos parcerias com o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia), universidades e outros órgãos que pensam permanentemente em tecnologia. Nosso grande desafio é não ser apenas uma escola que qualifica o profissional, mas sermos uma agência que busca novas soluções tecnológicas.”
O diretor do Senai faz questão de ressaltar que a Escola da Construção Civil não é exclusividade de Bauru, mas de toda a região. Ele acredita que o centro atenderá demanda de 52 cidades da região, especialmente de municípios mais próximos, como Lençóis Paulista, Agudos, Duartina, Macatuba, Iacanga, Reginópolis e Garça.
“O objetivo é descentralizar o atendimento ao setor, que obrigatoriamente tem que buscá-lo na Capital. Dessa forma, reduziremos o custo de investimento do empresário, que acaba sendo lesado, porque o deslocamento para São Paulo, além de ter um custo alto, limita o número de participantes”, conclui.