Bairros

‘Novo albergue depende da população’

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

O Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) precisará da ajuda de autoridades e da população bauruense para 2008. O presidente da entidade, Richard Simonetti, disse ontem que pretende construir uma nova sede para o Albergue Noturno mantido pelo centro e que, para tal, necessita de ajuda financeira. A obra está orçada em R$ 600 mil e a justificativa para o valor é de que o local terá dormitórios, banheiros, pátios de espera e salas de atendimento.

“A construção do novo albergue irá demandar um esforço da população bauruense”, diz. “Isso também interessa aos comerciantes e à própria população. Não é interessante que pessoas durmam na rua e às vezes apelem para roubo e crime”, afirma.

O local escolhido funcionaria, a princípio, nas imediações do Terminal Rodoviário de Bauru. Metade do terreno pertencia à prefeitura e foi doado. A outra metade da propriedade pertence ao Ceac. Ao mesmo tempo, a atual diretoria ainda procura imóvel para alugar como alternativa à construção.

Conforme divulgado pelo JC, a diretoria havia decidido, em setembro passado, pelo encerramento das atividades do Albergue Noturno a partir do dia 31 de dezembro por duas razões. A primeira pelo fato do abrigo atrapalhar as atividades do centro, prejudicando o desdobramento de cultos doutrinários. A verba mensal de R$ 12 mil, que contrariava com os R$ 20 mil mensais gastos para manutenção dos serviços, era outro motivo alegado para encerrar o vínculo.

O apelo popular, no entanto, fez com que a atual diretoria mudasse os planos. “Ficamos constrangidos em tomar uma atitude dessa, pois o albergue é a cara do Centro Espírita Amor e Caridade”, diz.

Após reuniões com o poder público, ficou acertada a renovação do contrato para 2008 e o aumento no repasse de verbas - R$ 16,8 mil mensais -, embora o valor não seja suficiente para cobrir as despesas. A própria entidade entra com adicional para não fechar suas contas mensais no vermelho, segundo Simonetti.

O serviço de atendimento noturno foi interrompido até que um local com instalações mais adequadas seja encontrado. O Ceac é mantenedor do albergue desde sua fundação, em 1951.

Variável

De acordo com Simonetti, a população do albergue é definida como flutuante em virtude de épocas do ano em que o movimento é maior, como no inverno. O fato, no entanto, é que o número de freqüentadores do albergue vem diminuindo gradativamente nos últimos tempos.

“No passado, tínhamos um fluxo migratório que vinha dos Estados do Norte e Nordeste. Era muito comum famílias de até 12 pessoas que vinham tentar ganhar a vida em São Paulo e passavam por Bauru, pela cidade ser um entroncamento rodoferroviário.”

O próprio Simonetti conta que já trabalhou como plantonista noturno - com sistema de atendimento voluntário - e que era comum receber mais de 100 pessoas por noite. Segundo ele, dois fenômenos determinaram a redução considerada drástica no número de pessoas que procuram o albergue. Um deles seria o sucateamento da ferrovia, uma vez que o próprio poder público disponibilizava passagens gratuitas. “A supressão dos trens reduziu essa movimentação”.

A interrupção do fluxo migratório é outro motivo apontado para a diminuição na procura, segundo o presidente do Ceac. “Talvez seja pelo aumento da qualidade de vida no Norte/Nordeste, onde nas grandes Capitais há condições do cidadão trabalhar e sobreviver”.

O atendimento no Albergue Noturno, que abriga atualmente 30 pessoas, possibilita auxílio a pessoas que procuram documentos, tratamento médico e emprego. “Vemos a necessidade da pessoa para atender da melhor forma possível. A idéia é fazer um amplo trabalho social que vise não apenas atender necessidades imediatas, mas dar encaminhamento e tentar resolver o problema”.

Ele informa que o Centro Espírita Amor e Caridade possui núcleos de atendimento espalhados por toda a cidade, com trabalho de promoção social através de cursos profissionalizantes.

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Estudo de caso

A notícia envolvendo os planos da diretoria do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) pegou de surpresa a secretária municipal do Bem-Estar Social, Egli Muniz. Ao ser comunicada sobre a possibilidade da construção de um novo prédio para o Albergue Noturno, ela informou que teria que estudar o assunto para planejar possível ajuda financeira para as futuras obras - parte do terreno cedido para construção era da própria prefeitura.

“Teríamos que analisar o caso para saber o que fazer” disse à reportagem. “Temos que pegar a planta do local e analisar o projeto para saber o tipo de prédio e o tipo de serviço que será realizado”.

Há 15 dias, durante encontro na Sebes, a diretoria do Centro Espírita Amor e Caridade reiterou o desejo de realizar suas atividades em outro local por considerar seu espaço atual inadequado para essa finalidade.

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