Caracas - As explicações para a primeira derrota de Hugo Chávez em nove anos provocaram uma avalanche de artigos no importante site fórum de discussão de intelectuais identificados com o governo venezuelano.
Uma das críticas mais duras vem do sociólogo alemão Heinz Dieterich, ideólogo do dito “socialismo do século 21”. Para ele, Chávez pode ser deposto no ano que vem “se não forem tomadas medidas realistas já”.
Dieterich diz que a causa principal da derrota “é o sistema vertical de condução do processo bolivariano”. Para sobreviver aos ataques de Washington, Dieterich sugere, entre outras medidas, criar “instâncias pluralistas”, recompondo inclusive com o ex-ministro da Defesa Raúl Isaías Baduel, “do centro”.
A jornalista Vanessa Davies, da emissora estatal VTV e próxima de Chávez, afirma que a derrota se deve tanto à atuação equivocada do chavismo quanto à estratégia oposicionista. Ela enumera, entre outros motivos, as “más ou péssimas” administrações regionais chavistas; “a escassez de alimentos fabricada pelos setores conspiradores do empresariado”; e a incompreensão sobre “o movimento estudantil promovido e treinado pelo Departamento de Estado dos EUA”.
____________________
Bush prega livre comércio contra Chávez
Washington - Mais uma vez, George W. Bush evitou mencionar o nome de Hugo Chávez. Instado a comentar o resultado do referendo popular e o fato de o venezuelano ter dito que um voto pelo “Não” seria um voto a favor do norte-americano, o presidente respondeu: “O povo venezuelano rejeitou o governo unipessoal.
Eles votaram pela democracia, e os Estados Unidos podem fazer diferença na América do Sul quanto à influência venezuelana”.
Uma das maneiras, afirmou, é aprovar tratados de livre comércio com países da região, como o com a Colômbia, que atualmente enfrenta resistência da maioria democrata de um Congresso dominado pela oposição.