Pesca & Lazer

História de pescador: Pintado bom de briga


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Já se passaram mais de 15 anos. Morava em Catanduva, onde tinha comércio e desfrutava de uma vida de cidade de Interior, com amigos que amavam e ainda amam pescarias. Como não podia ser diferente, logo fiz amizade com uma turma que tinha um belíssimo rancho na barranca do rio Grande, logo abaixo da barragem de Marimbondo, na cidade de Icém, que faz fronteira com Minas Gerais, que, por acaso, atravessando a ponte, fica a cidade com o nome de Fronteira, cidade conhecida pela estátua do Bernardão.

Os sócios do rancho, meus amigos Édem Zeni, Fernandinho Brussi (que estão na foto na coluna Troféu Pescador), Zé Novelli (ventiladores Novelli) e Sérgio Colombo, como sempre, me convidaram para mais um final de semana no rancho, alardeando que estava correndo pintados. O caseiro, Dani, tinha ligado falando que era para a gente não perder aquele final de semana, pois com certeza iríamos pescar algum pintado.

Sempre ouvíamos histórias de algum pescador que tinha fisgado um pintado naquelas águas, mas nunca, até então, tínhamos visto um. Bom, como iríamos de qualquer jeito, lá fomos nós; sonhando e fisgar um pintado distraído qualquer.

Saímos de Catanduva na sexta, preparados para começar a pescaria logo pela manhã do sábado. Dito e feito! Logo no nascer do sábado, eu e o Edinho pegamos nosso barco, abastecemos com bastante cerveja, uísque, lanche e também, já que o programa era pescar, varas e iscas vivas para tentar o tão sonhado pintado.

Descemos até uma curva que tem um poço, levados pelo nosso caseiro, o Dani. Nem bem chegamos, pequei minha vara, com um molinete Daiwa BG90, com linha 0,45, pois como não acreditava muito no resultado da pescaria, nem me preocupei em trocar a linha, iscamos com um ‘tuvirão’ e lancei direto ao fundo, com chumbada pesada para arrastar no leito do rio.

Logo que começamos a rodar, acreditei que tinha pego um enrosco, que logo, para minha total surpresa, começou a correr... Foi aquela correria, pois tinha pouca linha, ainda por cima velha, e percebi que estava com um peixão grande fisgado.

O caseiro, esperto, vendo que o peixão estava subindo o rio, tratou de ligar logo o motor e fomos atrás do ‘bichão’. Foi mais ou menos uns 40 minutos de briga, da boa, até que conseguimos embarcar o troféu.

A foto ao lado, é do peixão, que pesou 36 quilos limpo, fisgado com linha 0,45, com molinete e uma vara também velha, que eu somente usava para emprestar aos amigos de primeira viagem, já que tinha o maior ciúme das varas mais novas.

Esse foi o maior peixe que até hoje saiu naquele rancho. E esta foto também ilustra a parede da sala do rancho, em lugar de destaque. Estou esperando o dia de pescar o primo dele.

Marco Valério Machado é pescador e contador de histórias

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