Com a intenção de divulgar o filme “Noel - Poeta da Vila”, que deve estrear em Bauru na próxima semana, o diretor do longa-metragem, Ricardo Van Steen, e o ator que interpreta Noel Rosa no filme, Rafael Raposo, estiveram ontem em Bauru no Alameda Quality Center.
O filme narra parte da vida de um dos maiores compositores da música brasileira, a breve e meteórica carreira do cantor, que começou na década de 30. O longa começa com Noel aos 17 anos, abandonando a faculdade de medicina para se dedicar à música, sua grande paixão.
De acordo com o diretor, o filme é um mergulho no mundo escuro em que Noel vivia, o cotidiano sem regras que levou o jovem compositor à morte por tuberculose aos 26 anos. “A gente resolveu escolher a época em que o Noel escreveu o primeiro samba de sucesso, da primeira bola dentro até a última”, explica Steen.
Para isso, foram dez anos de lutas, correndo atrás de patrocínio para conseguir rodar o filme. “Tínhamos um ator para interpretar Noel, mas, infelizmente, o tempo passou, o ator ficou velho e tivemos que substituí-lo pelo Rafael que caiu como uma luva na história”, conta.
O ator responsável por interpretar Noel Rosa no cinema diz que a experiência foi única e que, com certeza, não conseguiria fazer tudo outra vez: “Foram três meses de laboratório. Viver Noel foi espetacular, tanto que depois que acabamos de rodar o filme eu não queria voltar, queria ficar lá, na década de 30”.
Sobre sua semelhança com Noel Rosa, Raposo disse que, quando se inscreveu para participar do filme, não sabia que a história seria sobre o compositor. “Na época, liguei para a empresa que estava selecionando as pessoas para trabalhar no filme e perguntei se o filme era sobre um cantor em específico, mas me responderam que não poderiam passar nenhum tipo de informação”, lembra.
O ator, então, pesquisou na Internet sobre a década de 30 e encontrou imagens da época em Noel Rosa aparecia como o grande ícone da época. “Não tive dúvida. Vesti um terno branco, peguei chapéu e cigarro e me dirigi para o local de inscrição. Quando cheguei ao local, as pessoas acharam que estavam vendo um fantasma tamanha a semelhança”, recorda.
O diretor afirma que não liga para as críticas sobre o filme e comemora o sucesso do longa-metragem que está em cartaz no Rio de Janeiro há cerca de um mês. “Claro que eu queria ter aprofundado ainda mais na história de vida do Noel, mas eu só tinha duas horas para escolher o melhor dessa história, então resolvemos contar o Noel Rosa que as pessoas conhecem, os amigos, as composições e as paixões”, explica.