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Sarney descarta presidência do Senado

Folhapress
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Brasília - O senador José Sarney (PMDB-AP) afirmou ontem que não recebeu apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar o comando do Senado Federal e negou que vá se candidatar ao cargo. “(O presidente Lula) não vai me pedir. Não se pode pedir uma coisa que a pessoa não pode dar”, afirmou. Sarney disse que “não há hipótese” de ele se lançar na disputa.

O senador afirmou ainda que quer aproveitar o tempo para escrever suas memórias. “Eu já estou com 78 anos, tenho de reservar meus últimos anos para terminar minhas memórias”, afirmou. “Não vou ficar para Matusalém”, reiterou. Sarney afirmou que o PMDB vai conseguir definir por um nome de consenso no partido, mas não indicou para quem será o seu voto. “Nós temos tantos outros nomes de consenso, o PMDB vai decidir pelo voto e pela bancada.”

O senador ainda fez elogios ao presidente. “Apoiei (o presidente Lula). Sempre achei que era um avanço na política brasileira, porque concluímos um ciclo republicano de todas as classes representadas. Com um operário no poder, fizemos aquilo que o mundo quis fazer pela revolta e revolução. E nós fizemos pelo processo democrático.”

Peemedebistas reconhecem que o nome de Sarney é capaz de reunir a bancada e evitar disputas que comprometem a unidade do PMDB no Senado. “Na minha avaliação, ele é o melhor nome. Qualquer outro (senador) terá disputa de igual para igual na bancada. Ele pode ajudar a acalmar a disputa na bancada do PMDB”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), também admitiu que o nome de Sarney poderá unificar o partido. Mas disse que ele próprio também cumpriria esta missão se fosse candidato - apesar de negar a disposição em entrar na disputa. “Estão falando muito. Eu mesmo poderia ser um nome de consenso dentro da bancada, mas optei por não disputar. O presidente Sarney fala a mesma coisa, mas pode ser que mude, pode haver um convencimento”, disse o líder.

Raupp afirmou que as inscrições de candidatos no partido para a disputa ao comando do Senado estarão abertas até terça-feira, quando a bancada se reúne para definir o nome indicado para presidir a Casa.

Aprovação tucana

O líder da bancada do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), encontra-se em aparente isolamento no ataque à possibilidade de José Sarney (PMDB-AP) ocupar a cadeira deixada por Renan Calheiros (PMDB-AL). Pelo menos 11 dos 13 senadores tucanos dizem concordar com a volta de Sarney à presidência do Senado.

A bancada do DEM, o outro grande partido de oposição na Casa, já avisou que aceita a nomeação de Sarney. Ontem, a bancada tucana reuniu-se no gabinete do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para discutir, entre outras coisas, o possível lançamento de Sarney pelo PMDB. “A fala do Arthur foi dura, mas eu disse na reunião que não vejo problema”, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). “Para presidir o Senado neste momento de crise, é preciso alguém de status como ele”.

Já Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou: “Ele (Virgílio)tem sido radical, mas é uma posição muito dele.” Enquanto o líder do DEM, José Agripino (RN) disse desconhecer os motivos de Arthur Virgílio.

A reunião terminou sem uma definição sobre o assunto. O PSDB vai esperar que o PMDB decida quem será o candidato oficial. Anteontem, na reunião da bancada peemedebista, foram lançados quatro candidatos: Garibaldi Alves (RN), Valter Pereira (MS), Neuto de Conto (SC) e Leomar Quintanilha (TO). Mas, com o aval do presidente Lula, a cúpula do PMDB quer Sarney como candidato.

Presidente do Senado em duas oportunidades (1995-1997 e 2003-2005), Sarney não quer se desgastar disputando o cargo, o que complicaria sua gestão. Por isso, o apoio da oposição é fundamental. A reportagem ouviu 12 dos 13 senadores do PSDB. Só não foi encontrado o senador Marconi Perillo (GO).

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