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Esquema de fraude milionária envolvia vereadores em Rosana

Por Da Redação | Com Folhapress e Agência Estado
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Presidente Prudente - Seis dos nove vereadores de Rosana (762 quilômetros a oeste de SP) foram presos pela Polícia Civil na madrugada de ontem com outras 29 pessoas acusadas de pertencer a uma quadrilha que fraudava licitações e contratos com a prefeitura da cidade.

São suspeitos de participar do grupo, além dos vereadores (entre eles o presidente da Câmara, Valdemir Santana, do PPS), o gerente da área administrativa da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), Valdir Izidoro Pascoalin, empresários, servidores públicos e parentes do ex-prefeito Jurandir Pinheiro (DEM), afastado do cargo em agosto por improbidade administrativa. Pinheiro permanecia foragido até a noite de ontem.

Segundo o Ministério Público, a quadrilha desviou cerca de R$ 30 milhões, em três anos. Dois empresários de Presidente Prudente, que não tiveram os nomes revelados, seriam os mentores do esquema. “O grupo fraudava licitação, pagava propina, maquiava e até não realizava obras”, disse o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior, Dirceu Urdiales.

Os suspeitos presos foram levados para a cadeia de Dracena (647 quilômetros a noroeste de SP). A reportagem não conseguiu ouvir seus advogados e a Cesp informou, em nota, que “Pascoalin tinha sido cedido à prefeitura de Rosana de 2001 a 2005, período da investigação do MP”.

A última sessão da Câmara, que seria realizada na tarde de ontem teve de ser suspensa, por falta de quórum. A sessão votaria a peça orçamentária, no valor de R$ 52 milhões, proposta pela prefeita Maria Aparecida Dias de Oliveira (PMN), que ao assumir o cargo há três meses, decretou estado de emergência, que ainda perdura, devido à precária situação financeira do município.

Segundo o delegado Roberto Miguel, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, os vereadores são acusados de encobrir um esquema de corrupção da empresa Presserv, que desde 2004 é responsável pela coleta de lixo e limpeza pública urbana do município. Nesses três anos, de acordo com Miguel, a empresa teria recebido mais de R$ 30 milhões em serviços de limpeza urbana, como varrição e coleta, que não foram prestados.

Conforme as denúncias, a Presserv apresentava medições falsas para justificar o recebimento da verba do contrato, no valor de R$ 560 mil mensais. Para conseguir o pagamento sem levantar suspeita ou fiscalização, o empresário Rogério de Souza, dono da Presserv, contava com um esquema, operado por colaboradores nos principais cargos da prefeitura e do legislativo.

Pelo esquema, segundo as denúncias, ele pagava propinas que chegaram a R$ 15 mil aos vereadores e ao ex-prefeito Jurandir Pinheiro (sem partido), que não foi localizado anteontem pela polícia.

Os recursos que saíam da prefeitura eram repassados ao município pela Cesp em forma de compensação ambiental pelo alagamento da usina hidrelétrica “Sérgio Mota” e a título de pagamento de obras no distrito de Porto Primavera, uma vila de operários mantida pela Cesp. O esquema contava com a ajuda de Valdir Izidoro Pascoalin, atual gerente da área administrativa da Cesp em Porto Primavera, também detido nesta quinta-feira.

A assessoria da Cesp confirmou que Izidoro é gerente atual da empresa e que esteve emprestado à prefeitura de Rosana de 2001 a 2005, exatamente o período investigado pelo Ministério Público que determinou o desencadeamento da operação Mexilhão Dourado.

Na Presserv ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto. Um funcionário, que se identificou por Antonio de Freitas disse que trabalhava de encarregado e que a empresa estava fechada devido à operação da polícia. Ele disse que não havia e nem conhecia alguém para falar sobre o assunto.

A assessoria de imprensa da Câmara informou os vereadores foram “apenas cumprir uma determinação da Justiça”. Segundo a assessoria, nenhuma deles tinha nomeado advogado.

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