Regional

Grupo Atalla demite em massa em Jaú

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - O Grupo Atalla de Jaú (47 quilômetros de Bauru) demitiu ontem mais de 500 trabalhadores rurais. A empresa alega que as demissões são fruto do fim da safra de cana-de-açúcar. No entanto, informações dos sindicatos que representam os cortadores de cana afirmam que a dispensa se deve ao arrendamento do Atalla para o Grupo Cosan.

Pelas contas dos sindicatos que representam a categoria, naquela microrregião de Bauru, o número de demitidos está entre 800 a 900 e não apenas 500 como diz a empresa. Para os sindicalistas, o fim da safra não motivou as demissões e sim o arrendamento para o Grupo Cosan.

As demissões em Mineiros do Tietê, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Eduardo Porfílio chegaram a 100. “Eu acredito que esses trabalhadores não ficarão desempregados muito tempo. Tem cana para plantar.”

Para o sindicalista, o Grupo Atalla só legitimou uma situação que já estava em prática. “Eles não moíam mais cana. Quem fazia isso era a Cosan.”

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra Bonita, Vicente Teixeira, revelou ao JC o teor de uma reunião na empresa, na terça-feira. “Eles alegaram que arrendaram para a Cosan e que iam demitir não só trabalhadores rurais, mas também pessoal da indústria.”

Pelas contas do sindicalista devem ter sido demitidos entre 800 e 900 trabalhadores no total. “Da cidade de Barra Bonita são 200, mas têm de Jaú, Itapuí, Igaraçu do Tietê e Mineiros do Tietê.”

O representante do Grupo Atalla, João Bedolo, disse, ontem, que foram demitidos 520 funcionários. “É o fim da safra de cana-de-açúcar. São os safristas”. Ele não confirmou o arrendamento e nem o número calculado pelos sindicalistas.

Vai causar desemprego

O presidente do Sindicato dos Empregados Rurais de Jaú, Hermínio Stefanin, é enfático em afirmar que as demissões vão causar desemprego na cidade. “Não são só trabalhadores rurais. Têm pessoas da indústria e do escritório também que já estão com o aviso prévio assinado”, revela.

Ele conta que, no início da semana, participou de uma reunião com a diretoria do Grupo Atalla. “Uma das diretoras disse que as demissões atingiriam cerca de 900 funcionários e que era motivada pela reestruturação da empresa.” Stefanin ressalta que a diretoria prometeu contratar de novo os funcionários demitidos. “Ela explicou que a reestruturação era necessária porque nova diretoria deverá assumir a empresa.”

Pelos cálculos do sindicalista, os trabalhadores rurais demitidos em Jaú devem chegar a 70. “Eram mais trabalhadores de Barra, Igaraçu do Tietê e Mineiros.”

Ele diz que a situação já está difícil e vai piorar com as demissões. “Há cinco anos, o Grupo Atalla tinha 3 mil trabalhadores. Em 2005, só no corte de cana, tinha aproximadamente 1.500. Em 2006, o corte e a moagem passaram a ser feitos pelo Grupo Cosan.”

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