Domingo passado, dia chuvoso, fui ao campo do Padilhão, onde haveria o primeiro jogo da final do campeonato amador da Liga Bauruense. Chegando lá fiquei meio desconfiado se a partida realmente era ali, pois não tinha isolamento no trânsito, policiais revistando pessoas, proibindo guarda-chuvas e outros objetos. Então, eu avistei alguns torcedores com a camisa do Ipiranga e me certifiquei de que o jogo era ali mesmo. O estádio foi enchendo, comecei a encontrar as pessoas conhecidas que sempre vão ao campo como eu, voltei lá fora, peguei uma latinha de cerveja, me sentei novamente no coberto, o campo cada vez mais cheio e batuque, rojões, amendoins e bandeiras, tudo pronto para mais um dia de diversão. Tudo no clima, como acontece em todos os domingos, aquela festa bonita.
Começou o jogo, barulho dos batuques, provocações das torcidas, sem separação por corda, aquelas músicas que já conhecemos que quem canta já nem tem mais concentração no que diz a letra, parece até que vai haver uma guerra... O jogo segue, sai um gol, sai outro, acaba o jogo e sabe o que acontece? Nada. Como tantos e tantos domingos não acontece nada de anormal, ninguém briga, ninguém agride ninguém, e vamos todos embora.
Fiquei sabendo numa conversa com um amigo que o presidente da Liga prometeu aos diretores dos times que se tivesse algum problema ambos seriam desclassificados e expulsos da Liga. Aí eu entendi por que todo mundo estava curtindo só o espetáculo e nada mais. Que sacada deste senhor, que visão mais célebre de quem conhece a causa e sabe com o que está lidando. Nem sei seu nome, mas parabéns, meu senhor.
Aí eu fiquei me perguntando: onde é que está o grande erro, o grande problema a ponto de autoridades estarem querendo acabar com essa alegria do povo, será que não seria oportuno que, antes de lançarem essas ameaças, fossem verificar e conhecer realmente o que é o futebol amador de Bauru? O que ele representa, quantas pessoas de bem vão aos estádios todos os domingos com suas crianças, mulheres e vibram, torcem, de graça.
Claro que como em todas as aglomerações de pessoas podem ocorrer problemas, mas as soluções são tão simples. Basta observarem que sempre há uma meia dúzia de eufóricos que podem extrapolar, mas a minoria é tão visível que um bom profissional da polícia consegue contornar facilmente, com algumas providências, se forem necessárias. Esse mesmo profissional que faltou naquela final fatídica do cavalo disparado, que com certeza retiraria do campo aquela meia dúzia de bagunceiros, e aí, nada aconteceria.
Gostaria de ver essas mesmas pessoas, preocupadas na mesma intensidade com os arrastões próximos ao Shopping nas sextas-feiras à noite, no cartel dos postos de combustíveis de Bauru que resiste há anos e anos e ninguém faz nada, das mudanças dos presídios para casas de hospedagens, na indústria das multas no centro da cidade, nos assaltos do Jardim Panorama, etc.
Esperar o prefeito reformar os estádios? Que piada... Ah, querem saber de uma coisa? Vocês fiquem aí que eu vou caçar sapos!!!!
Mário Ribert Juliani - RG 11.027.836