Internacional

Conferência pretende superar impasse pós-Kyoto com países industrializados

Por Claudio Angelo | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bali - “Não cozinhe o clima’’. A frase, estampada num termômetro gigante no Centro Internacional de Convenções de Bali, é ironicamente cruel para quem chega ao local sob um sol de 32ºC e uma umidade do ar de 97%. Mas ontem, no final da primeira semana de negociações na COP-13, a conferência do clima de Bali, ela serviu para reforçar um alerta: o “mapa do caminho’’, o esboço de negociação do regime climático pós-Kyoto, ainda precisa superar desvios de rota.

Um rascunho do mapa circulou ontem em Bali. O documento reconhece que, para evitar os piores efeitos da mudança climática, os países industrializados (o chamado Anexo 1) precisarão reduzir suas emissões entre 25% e 40% até 2020 e que as emissões globais de gases-estufa precisam chegar ao pico em 10 ou 15 anos, para “muito menos que a metade’’ dos níveis de 2000, até 2050.

Reconhece também que os esforços feitos ontem para implementar a Convenção do Clima são insuficientes para resolver o problema do aquecimento global, do qual as evidências científicas são “inequívocas’’. Mas sua aprovação pelos ministros que chegam nesta semana a Bali para o segmento de alto nível da COP, que começa na quarta-feira, ainda enfrenta resistências de vários países.

Desta vez, os Estados Unidos não levam a culpa sozinhos. O Canadá tem se manifestado contra aprofundar as metas obrigatórias de redução de emissões dos países ricos caso os países em desenvolvimento não assumam metas também.

O Japão também tem tentado propor alternativas ao Protocolo de Kyoto que contornem a adoção de metas nacionais. Tampouco concorda com o reforço do regime de punição a quem descumprir suas metas. A Austrália chegou a concordar com metas de 25% a 40% de redução de emissões até 2020 para países industrializados, só para voltar atrás nessa posição horas depois.

Já a União Européia, geralmente vista como heroína do clima, manteve um proverbial silêncio sobre metas durante as plenárias, embora nos corredores seus delegados digam que estão fazendo tudo o que podem para garantir um acordo completo para quando o Protocolo de Kyoto expirar, em 2012.

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