Roberto Garcia é desenhista de profissão. Em 1985, ele ficou desempregado e foi trabalhar com um cunhado, que tinha uma loja de azulejos fora de linha em Santos, no litoral paulista. Ali, Gracia descobriu que, além do desenho, podia se dedicar a outro tipo de arte, a de descobrir relíquias e vendê-las para quem precisasse.
Assim, o desenhista mudou-se para Bauru e começou a recolher peças que as pessoas não utilizavam mais, por causa de reformas em suas casas ou por qualquer outro motivo. As empresas fabricantes também forneciam e com isso, ao longo de 22 anos, Garcia juntou 30 mil metros quadrados de cerâmicas que são verdadeiras relíquias.
Há peças datadas de 1950. São toneladas e toneladas de azulejos e pisos de todos os formatos, épocas e cores. Juntos, poderiam ser usados para revestir quase metade da área construída do tradicional estádio do Pacaembu, em São Paulo, que tem 75.598 m². Na loja há, ainda, louças sanitárias e peças para piscinas.
Com o passar dos anos, as viagens a cidades da região para aquisição de caixas e caixas de azulejos deram bons frutos e as relíquias foram se multiplicando, até tomarem um espaço de 10 por 25 metros inteiro. “É uma verdadeira loucura. Não tem jeito. Você tem de comprar e manter estoque na esperança de que, algum dia, alguém compre aquela peça, mas você nunca tem noção se vai vender ou não”, revela o comerciante.
Apesar disso, Garcia defende a tese de que precisa sempre aumentar o estoque para satisfazer o cliente. “Um dia vende. Tem gente que já veio do Espírito Santo e da Bahia a passeio e voltou feliz da vida depois de ter passado aqui e encontrado cerâmicas que precisavam há muito tempo”, conta, revelando também que é comum atender clientes de diversas cidades da região à procura da “salvação” das paredes de banheiros e cozinhas antigos. Além da restauração, há clientes que buscam as peças para fazer arte, como um mosaico na parede de casa, por exemplo.