Economia & Negócios

Em 2008, Schincariol vai investir R$ 1 bilhão

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Para ampliar sua fatia no mercado cervejeiro, a Schincariol investirá R$ 1 bilhão em 2008. O anúncio foi feito pelo novo presidente executivo da companhia, Fernando Terni, ex-Nokia, durante entrevista coletiva realizada em São Paulo.

Terni assumiu a presidência executiva há dez meses. Com a decisão, membros da família Schincariol passaram a ter posições no conselho de administração. Na entrevista, em que o Jornal da Cidade foi o único veiculo de comunicação da região de Bauru presente, os executivos da empresa falaram à imprensa pela primeira vez desde que a nova diretoria foi empossada.

Considerada a segunda maior cervejaria do Brasil - está entre as 20 maiores do mundo -, a Schincariol produz 4 bilhões de litros de cerveja por ano. Em 2008, a capacidade será ampliada com o início das operações da unidade de Horizonte, município do Ceará.

O parque industrial de 40 mil metros quadrados de área construída entrará em atividade no primeiro trimestre do ano que vem e terá capacidade para produzir 2 milhões de hectolitros/ano, gerando mais de 1.000 empregos, entre diretos e indiretos.

Com capital 100% nacional e 12 fábricas em operação até o momento, a empresa anunciou que obteve R$ 4,5 bilhões em vendas até dezembro e que pagou mais de um terço do valor (R$ 1,9 bilhão) em impostos sobre essas vendas.

Para o ano que vem, a Schin pretende aumentar sua participação no mercado e anuncia que tem “bala na agulha” para isso: adquiriu em 2006 a Baden Baden, Nilsen e Devassa. Serão aplicados 10% do total da receita em marketing.

Atualmente, a Ambev lidera a participação no mercado de cervejas com índice de 68,3%. A Schincariol possui 11,8% com os produtos Nova Schin, Primus, Devassa e Baden Baden.

Para concorrer com a Del Valle e a Sufresh na área de sucos, a empresa lançou a linha Fruthos e garante que o sabor é o melhor do mercado. O marketing é o ponto alto do lançamento, uma vez que o design gráfico de suas embalagens remete à idéia de caixote, onde as frutas são transportadas do campo diretamente para a mesa do consumidor.

A coletiva foi realizada para anunciar novos investimentos, mas Terni se deparou com questões envolvendo possíveis despesas da empresa e seu envolvimento político no Operação Cevada, por meio do que a empresa foi acusada de sonegação fiscal.

Terni afirmou que não há dívidas com a Receita Federal, mas sim R$ 300 milhões discutidos na Justiça - o chamado passivo contencioso. “Façam uma pesquisa entre esse passivo e o faturamento de nossas concorrentes que vocês irão se surpreender”, propôs.

Sobre as dívidas com o INSS, Terni afirma que a pendência existe com um dos fornecedores da empresa que construiu uma das fábricas do grupo. “Nós fomos arrolados, essa dívida é da construtura”, defendeu-se.

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Gestão

Em 2007, o grupo Schincariol deu continuidade ao processo de reorganização iniciado há dois anos com a contratação da consultoria McKinsey para reavaliar os negócios da empresa. Entre as medidas tomadas estava a profissionalização da gestão, iniciada com a contratação de Fernando Terni.

“Eu diria que foi uma decisão madura com a ajuda da McKinsey, em que houve boa dose de humildade em reconhecer que a empresa precisa evoluir e trazer novas pessoas e conhecimentos”, avaliou o presidente executivo.

Ele afirmou que a cultura organização da Schincariol não será afetada. “Existe uma cultura muito boa aqui, uma paixão em trabalhar. A idéia não é mudar a cultura, e sim trazer novos investimentos”, afirmou.

O executivo desmentiu as notícias de que a criação de nova diretoria e o fato da família que dá nome ao grupo ficar em posições unilaterais seria um preparativo de venda da companhia. Em 2006, a Miller teria feito uma proposta. “Eu diria que é um orgulho receber propostas”, pontuou.

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